Curitiba - Depois de quase três meses de negociações frustradas, os servidores da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento decidiram paralisar as atividades ontem, por tempo indeterminado. De manhã, eles permaneceram concentrados em frente ao prédio da secretaria. Os secretários do Governo, José Cid Campêlo Filho; da Administração, Ricardo Smijtink; e da Agricultura, Deni Schwartz, se reuniram, no Palácio Iguaçu, para definir uma proposta do governo às reivindicações do funcionalismo.
Está marcada para hoje, às 14 horas, uma reunião para negociação entre as partes. Amanhã, às 14 horas, a categoria se reúne em assembléia em Curitiba para avaliar a proposta que deve ser apresentada pelo governo.
Segundo o diretor do Sindiseab, Roberto de Andrade e Silva, 100% dos 700 funcionários de Curitiba e 20 núcleos regionais no Estado aderiram ao movimento. ‘‘O maior problema de uma paralisação nesse setor é haver um foco de doença e, sem fiscalização, acabar prejudicando a exportação’’, disse o presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge/PR), Carlos Roberto Bittencourt.
Os grevistas receberam ontem mesmo o apoio da Associação dos Abatedouros e Produtos Avícolas do Paraná (Avipar). Preocupados com a repercussão que a suspensão da fiscalização venha surtir no mercado de exportação, os produtores avícolas e de suínos enviaram um manifesto ao governo do Estado solicitando agilidade na apresentação de uma proposta que permita o fim da greve. ‘‘Um País que tem no agronegócio a sua evidência, não pode deixar dúvida de que um estado brasileiro está sem controle de defesa animal e vegetal’’, alertou o presidente da Avipar, Paulo Muniz.
Com a paralisação, o Estado fica desprovido de vigilância sanitária aninal e vegetal; guias de transporte destes produtos não são emitidas; a execução da próxima campanha de vacinação contra aftosa pode ser afetada; além de estarem suspensos levantamentos sobre safra e valor estimado de produção por município- que é o índice que calcula o Fundo de Participação dos Municípios para que recebam parte do ICMS.
A principal reivindicação é a implantação de um Plano de Cargos, Carreira e Salários, além de reajuste de 62,82% –referente à reposição das perdas salariais acumuladas entre agosto de 1995 e dezembro de 2001– e extensão de um adicional compensatório a todos os servidores. Cerca de 50% do quadro deixou de receber a partir de dezembro uma gratificação por periculosidade, o que representou uma perda de 30% nos salários’’, de acordo com o presidente do Sindicato dos Veterinários (Sindivet), Luiz Henrique Goettens.

mockup