Servidores da saúde doam sangue para pedir reajuste salarial
Servidores da saúde doam sangue
para pedir reajuste salarial
Anna Camanducaia
Albari RosaBarbosa: Melhor protestar salvando vidas que parando hospitaisServidores estaduais da saúde doaram sangue ontem para protestar contra a falta de política salarial do governo Lerner. Em Curitiba, a campanha foi feita no Hemepar e contou com representantes de hospitais e unidades de saúde. Este não é um ato de greve. Queremos só chamar a atenção do governo para o problema, diz a coordenadora do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde, Dôri Tucunduva. Os profissionais estão trabalhando normalmente.
Os servidores dos níveis médio e básico de todos os setores não têm reajuste há mil dias. Hoje, o salário médio da categoria é de R$ 300,00. Os servidores querem reajuste de 46% para recompor as perdas do período Lerner. O Paraná tem 40 mil servidores, sendo 7 mil da saúde (cerca de 2 mil em Curitiba).O aumento de todos os servidores corresponderia a apenas 2% na folha de pagamento do governo, afirma a coordenadora geral do sindicato.
O governo diz que não pode dar o reajuste por causa da Lei Eleitoral, segundo Dôri, que proíbe aumentos às vésperas das eleições. O Tribunal Regional Eleitoral disse que o governo não pode dar aumento por lei, mas sim através de gratificações, como vem fazendo normalmente. Na quarta-feira, os servidores se reuniram com o secretário do Estado da Fazenda, Giovani Gionédis, e o secretário do Estado da Saúde, Armando Raggio.
Os servidores ainda lutam há anos por Plano de Cargos, Carreira e Salário, licença-prêmio, auxílio insalubridade e férias maiores para os funcionários da área de Radiologia.
Doação - O sindicato esperava que 50 servidores doassem sangue até às 16 horas. O Hemepar colocou sua equipe externa para ajudar na coleta. Ao total, 14 profissionais trabalhavam para poder atender doadores usuais e os servidores.
O oficial de manutenção Osmário Caetano, de 40 anos, doou sangue ontem para tentar sensibilizar o governo. Com mulher e dois filhos para sustentar, Caetano ganha R$ 260,00 por mês. O enfermeiro Gerson Barbosa dos Santos também estava ontem no Hemepar. Melhor protestar salvando vidas que parando os hospitais.
A auxiliar de serviços gerais Vera Lúcia Pereira, de 34 anos, não acreditava que a doação pudesse resolver o problema dos servidores, mas se dispôs a entrar na campanha. Fazia um ano e meio que não doava sangue. Vera ganha R$ 305,00 por mês. Tenho duas filhas e, se não morasse com meus pais, mal daria para comer.





