Os 3.500 servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Paraná (UFPR) podem entrar em greve a partir da próxima quarta-feira. Uma assembléia da categoria vai decidir pela paralisação em protesto à mudança no regime de trabalho. De acordo com Deoclésio Fernandes, do Sindicato dos Trabalhadores de Educação de 3º grau Público (Sindistest), as alterações no sistema vão provocar redução dos rendimentos, bem como prejuízo à estabilidade dos servidores.
Além da manifestação programada pelo setor administrativo, os professores da Federal encaminharam uma moção contra essas mesmas mudanças. A Folha procurou o Ministério da Educação para que se pronunciasse sobre o assunto, mas não obteve retorno da assessoria de imprensa. Deoclésio Fernandes explica que uma medida provisória já editada e um projeto de lei estão retirando os benefícios de todo o setor público. ‘‘A greve na universidade pode antecipar a paralisação nacional de todos os servidores federais, programada para 9 de agosto’’, disse.
Uma das queixas dos servidores é quanto à mudança no sistema de contratação. A medida provisória vai permitir que o governo contrate os futuros servidores pelo regime da Consolidação da Leis Trabalhistas (CLT), ao invés do Regime Único Jurídico. Com essa mudança, os servidores federais perdem uma série de gratificações, inclusive deixam de ter uma aposentadoria privilegiada, que é diferente da aplicada para o setor privado.
O presidente da Associação dos Professores da UFPR (APUFPR), Francisco de Assis Marques, afirma que com essa mudança, os servidores terão que optar pelo regime trabalhista. Além disso, os servidores perdem também a Gratificação de Atividade Executada (GAE), que é substituído por outro sistema. Com isso, os funcionários teriam reduzidos os salários.

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