Eles denunciam o uso de um mesmo caixão de madeira para remoção de vários cadáveres em Londrina. Também reclamam de veículos inadequados para o serviço
Funcionários da Autarquia de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf) de Londrina estão expostos a doenças por utilizarem mais de uma vez o mesmo caixão de madeira para remoção de cadáveres. O material orgânico e biológico impregnado nos caixões, usados para remover pessoas falecidas de causa natural ou morte violenta, impossibilita uma perfeita higienização, podendo propiciar o aparecimento de bactérias e fungos. Os servidores, que preferiram não se identificar por medo de represálias, procuraram a Folha para denunciar as condições irregulares de trabalho.
Segundo os funcionários, as luvas utilizadas na remoção dos cadáveres são finas e se rasgam facilmente. Eles afirmam que não dispõem de máscaras ou botas de borracha para o trabalho. Os mesmos caixões que entram em hospitais, residências e trasladam corpos em decomposição, são usados por até dois meses e guardados na sede da Acesf. A Folha fotografou um dos caixões e constatou manchas de sangue na madeira. Em dias muito quentes, segundo os servidores, é comum a presença de moscas. Depois de ficarem sem condições de uso, as urnas funerárias seriam utilizadas para enterrar indigentes ‘‘durante a noite, para que ninguém veja’’ - denunciam os funcionários.
Ainda conforme as denúncias, os caixões são transportadas em carros sem divisórias. ‘‘Vão batendo nos bancos a cada freada’’, reclamam. A reportagem da Folha constatou que os bancos de uma Caravan da Acesf estão rasgados no local onde as urnas encostam. A situação piora quando são recolhidos corpos em decomposição. Os servidores afirmam que é comum recolher cadáveres de morte violenta, ‘‘o que seria competência do Instituto Médico-Legal’’. O IML, quando faz esse serviço, usa bandejas de plástico e metal lavável para o traslado.
Os empregados da Acesf já reivindicaram melhorias por meio do Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), mas nada de significativo foi feito. Eles comentam que convivem há anos com as atuais condições de trabalho, que teriam piorado nos últimos meses. Também teriam reclamado dos problemas para a atual superintendente da Acesf, Cláudia Prochet. ‘‘Ela disse que quem não estiver satisfeito deve pedir demissão’’, acusam. Os funcionários ainda reclamam da retirada de alguns benefícios, como o mobiliário do alojamento dos plantonistas e as refeições servidas aos sábados, domingos e feriados.

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