A demora para resolver a pendência salarial de 324 servidores ligados à Associação de Proteção à Maternidade e Infância (APMI), pode resultar na paralisação do atendimento nas 18 creches municipais, em Apucarana. No início da semana, funcionários da Creche Municipal Josa Ribeiro, na Vila São Carlos, não quiseram receber as crianças e explicaram aos pais que estão sem receber desde novembro.
Outras três unidades também não funcionaram, no centro e nos jardins América e Ponta Grossa, deixando de receber mais de 300 crianças. Caso não haja um acordo para recebimento dos atrasados, mais creches poderão ficar fechadas.
Vanderlei Cebrian de Paula, integrantes da comissão de servidores que está negociando com a promotoria e prefeitura, explicou que não existe uma greve orquestrada. ‘‘O que está acontecendo são atitudes espontâneas dos funcionários.’’
O prefeito Valter Pegorer (PFL) anunciou aos funcionários que irá depositar na Justiça os salários referentes ao mês de janeiro. Quanto aos atrasados, ele explicou que, numa consulta feita ao Tribunal de Contas, foi orientado a não pagar, para evitar configuração de duplicidade de pagamento, conforme prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em reunião mantida com uma comissão de funcionários e com o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Eduardo Matni, o prefeito lembrou que na administração anterior já haviam sido repassados em novembro e dezembro cerca de R$ 800 mil, que seriam suficientes para o pagamento dos salários. Pegorer acusa o ex-prefeito Carlos Scarpelini (PSDB) de ter desviado a finalidade dos recursos e até já encaminhou uma denúncia para que o Ministério Público investigue o caso. Scarpelini nega essa versão, assegurando que o dinheiro foi utilizado para amortizar dívidas com credores dos programas sociais.
Os funcionários foram recebidos pelo promotor Eduardo Matni que, em seguida, agendou uma reunião com o prefeito. Ficou decidido que a assessoria jurídica do município iria discutir com o juiz Katsujo Nakadomari alternativas para resolver a situação dos trabalhadores.
Em recente visita a Apucarana o procurador do trabalho da 9ª Região (Curitiba), Gláucio Araújo de Oliveira, apurou que todos funcionários da APMI haviam sido contratados de uma forma terceirizada pelo município, sem concurso público. O procurador determinou que todos os servidores devem ser demitidos até o dia 2 de maio.

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