Servidores acusam prefeitura de forçar empréstimo pessoal
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de julho de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Funcionários do Serviço Municipal de Saúde (Sermusa) autarquia da Prefeitura de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina) estão acusando pessoas ligadas à administração municipal de estarem os coagindo a assinar um documento que viabiliza um empréstimo para pagamentos de salários atrasados dos 65 servidores do setor. O dinheiro seria emprestado à Sermusa pela Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios (Capemi), empresa de previdência privada com sede no Rio de Janeiro.
Os denunciantes, que não quiseram se identificar temendo represálias, disseram à Folha que teriam sido obrigados a assinar os papéis em branco e de não terem sido esclarecidos os detalhes da negociação. Segundo eles, existem rumores na cidade de que o empréstimo seria pago com descontos nos contracheques, assim que o tesouro municipal conseguisse colocar em dia os salários. O último mês pago aos funcionários do Sermusa foi o de abril.
Em janeiro, a Folha publicou reportagem sobre atrasos salariais e crise no estoque de remédios das duas unidades de saúde de Jaguapitã um centro de saúde e um hospital.
O secretário municipal de Saúde, Romildo Arali, nega a acusação e diz que o empréstimo é a única forma da prefeitura pagar os salários de maio e junho no próximo dia 25. No total, a Capemi emprestará à Sermusa cerca de R$ 70 mil a juros mensais de 2,4%. A dívida deverá ser paga em seis parcelas.
Segundo Arali, poucos funcionários se recusaram a aceitar esta forma de pagamento. O secretário informou que mesmo com a regularização dos pagamentos com recursos próprios, a prefeitura não irá descontar o empréstimo dos salários, porém, quem não aceitar a opção da Capemi terá que esperar mais para receber. A prefeitura passa por um profunda crise financeira. Temos que usar a criatividade para saldar esta dívida.
A Folha confirmou que pelo menos três funcionários que se recusam a contrair o empréstimo junto a Capemi irão acionar o Ministério Público caso não recebam o salário no próximo dia 25.
Para o secretário não há motivos que justifiquem a susposta pressão para a adesão dos servidores ao empréstimo. Quem não quiser assinar não assina. Pelo menos 50 já concordaram e assinaram.
A Folha apurou que diversos órgãos públicos e prefeituras usam a mesma fórmula para regularizar pagamentos. Os contratos são individualizados porque empresas com a natureza da Capemi não podem negociar diretamente com pessoas jurídicas.


