Umuarama - A aprovação de 90% de mulheres no concurso para o cargo de auxiliar de serviços gerais criou um problema para a Prefeitura de Altônia (76 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Chamadas para assumir as funções, as mulheres estão se recusando a executar trabalhos normalmente destinados aos homens, como cortar grama, podar árvores, limpar bueiros ou fazer vigilância noturna. Segundo a secretária de Administração do município, Satie Noda Kondo, já foram feitas duas convocações, mas a prefeitura continua com falta de mão-de-obra em alguns setores.
O concurso realizado ano passado visava o preenchimento de 78 vagas para auxiliar de serviços gerais. Mais de 90% dos 454 aprovados são mulheres. Até agora, já foram convocados 170 aprovados, dos quais apenas oito homens. Grande parte das mulheres desistiu do emprego, outras aceitaram o trabalho de vigia ou de coleta do lixo. Mas das quatro mulheres designadas para fazer poda de árvore, uma já desistiu formalmente e quatro não estão comparecendo ao trabalho. ‘‘Não podemos fazer nada enquanto elas não completarem 30 dias consecutivos de falta’’, observa Satie.
Segundo a secretaria, este ano ainda não foram feitos serviços de corte de grama, limpeza de bueiros e poda de árvores na cidade por falta de pessoal. O município também precisa de operários para trabalhar na fábrica de artefatos de cimento. Satie prevê que vai demorar para a prefeitura acomodar a situação. ‘‘Não sabemos se as mulheres que estão assumindo trabalhos difíceis e pesados vão dar conta do recado e os próximos classificados a serem convocados para preencher vagas abandonadas também são quase todos do sexo feminino.’’
A secretária acredita que faltou informar no edital de concurso as funções do auxiliar de serviços gerais. ‘‘Se tivéssemos feito isso, o número de candidatas seria bem menor e os homens teria tido mais chances’’, observou. Agora, a prefeitura não tem outra alternativa senão convocar os aprovados por ordem de classificação e aguardar as desistências ou abandonos de emprego, até conseguir preencher as vagas. Se faltar pessoal, o município terá de abrir novo concurso.

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