Érika Pelegrino
De Londrina
A campanha ‘‘Londrina Exige o Fim da Violência’’ lançada no último dia 13 por entidades organizadas e pelos veículos de comunicação levantou algumas discussões quanto à logomarca utilizada e o próprio teor da campanha que pede a conclusão da cadeia pública e um melhor efetivo policial, principalmente.
A assistente social da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Ednéia Maria Machado, afirma que a campanha deveria ir mais além e mostrar as causas da violência. Na opinião dela só se consegue combater a violência atacando os fatores que a promovem – fome, desemprego, desestruturação familiar – e para isto é necessário convocar a sociedade para assumir sua responsabilidade nesta ação.
Ednéia Machado acredita que a sociedade organizada é capaz de encontrar alternativas tanto para a falta de escolas quanto para o desemprego.
‘‘Para a falta de escolas, por exemplo, uma alternativa é a prefeitura pagar o salário do professor e a própria comunidade providenciar o restante – conseguir material escolar, usar salões de igrejas como salas de aula’’, sugere.
No caso do desemprego, a assistente social cita como alternativa a fundação Unitrabalho, que tem núcleos em diversas universidades do Brasil, onde desenvolve vários projetos. Entre eles estão as incubadoras sociais. O primeiro passo deste projeto é verificar, no caso de Londrina, por exemplo, quais os serviços que a cidade necessita e que não são oferecidos pelo mercado.
A partir daí habilita-se pessoas desempregadas para estes serviços, oferecendo toda a infra-estrutura e acompanhamento necessários, até que as pessoas possam caminhar com as próprias pernas. Um dos núcleos da Unitrabalho está sediado na Universidade Estadual de Londrina, mas ainda em fase de estudos.
Ednéia Machado afirma que estas são apenas algumas das alternativas para se combater as causas da violência e não apenas seus efeitos. ‘‘A sociedade em conjunto pode encontrar muitas outras alternativas. Temos que pensar em formas de libertar o homem e não de aprisioná-lo’’, afirma.
A assistente social afirma que ela mesma não encabeçaria um movimento convocando a sociedade para a ação. ‘‘Seria um comprometimento muito grande, mas se for chamada para debater estarei a disposição’’, diz.
O prefeito Antonio Belinati (PFL) chegou a manifestar sua insatisfação com o uso da bandeira de Londrina na campanha, embora saliente a sua importância. ‘‘Mostrar o símbolo maior de uma cidade que é a sua bandeira violentada por balas, pode trazer sérios danos para o clima de prosperidade que o nosso município está vivendo’’, afirma.
Valduir Pagani, da Engenho Propoganda, responsável pela logomarca explica que não foi usada a bandeira de Londrina, mas sim um quadrilátero vermelho perfurado por tiros de revólver.
Ele afirma que realmente se parece com a bandeira e que isto foi intencional. ‘‘Fizemos uma analogia entre a agressão que Londrina está sofrendo com a bandeira’’, afirma. ‘‘Queríamos chamar a atenção do governo do Estado para o fato de que Londrina está sendo agredida’’.
Segundo ele, ‘‘pior do que considerar que o nosso símbolo cívico está sendo agredido é a agressão que nossas famílias vêm sofrendo’’. Pagani complementa: ‘‘A preocupação do prefeito procede, nós todos amamos nossa bandeira, mas sua preocupação maior deveria ser com a nossa segurança e intervir nesta questão junto ao Estado’’, conclui.
O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Subseção de Londrina, Lauro Zanetti, afirma que de forma alguma pode-se entender que um simples fundo vermelho seja o símbolo de Londrina. ‘‘Identificar ou não este fundo vermelho com a bandeira de Londrina vai depender da interpretação de cada um’’, afirma. ‘‘Não houve nenhuma ofensa, agressão teria sido usar a própria bandeira. E este cuidado os profissionais tiveram’’, conclui.
Zanetti fez parte da comissão de representantes de entidades organizadas e de veículos de comunicação que aprovaram a idéia da Logomarca.

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