Luciana Pombo
Os servidores públicos estaduais vinculados às Secretarias de Agricultura e Meio Ambiente organizaram ontem, na Boca Maldita, no centro de Curitiba, uma manifestação pedindo uma reposição salarial de 32% para a categoria, que está há 45 meses sem qualquer tipo de reajuste. Segundo o presidente do Sindicato Estadual dos Servidores Públicos da Agricultura, Meio Ambiente, Fundepar e Afins (Sindi/Seab), Roberto Andrade Silva, atualmente, os servidores dos níveis elementar e médio do quadro geral do Estado recebem salários que variam entre R$ 141,82 a R$ 494,71. Além disto, os funcionários não recebem qualquer tipo de benefício, como vale-refeição e auxílio pré-escola.
A funcionária pública Belarmina de Lourdes Vasconcelos, que trabalha há 14 anos na Seab, recebe um salário bruto, ou seja sem os descontos, de R$ 222,00. Ela tem 6 filhos e disse que se não fosse o salário do marido, não conseguiria sustentar a casa. ‘‘O salário que eu recebo é só um auxílio para o sustento dos meus filhos’’, afirmou.
Os manifestantes reclamaram também da falta de condições de trabalho nas secretarias. ‘‘Além de não termos reajuste, faltam verbas de custeio para que possamos realizar nossas atividades’’, afirmou Silva. De acordo com ele, os técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) não têm verbas para gasolina e diárias, o que dificulta a realização das fiscalizações nos municípios do interior do Estado. A regional de Curitiba, por exemplo, responsável por 27 municípios, trabalha com duas equipes e seis técnicos. ‘‘Não temos qualquer infra-estrutura, falta tudo, inclusive pessoal’’, alegou. Os técnicos do IAP são responsáveis pela fiscalização de desmatamentos, exploração mineral ou de palmito, corte de árvores, entre outras irregularidades ambientais.
Durante o protesto, que durou cerca de quatro horas, foram distribuídas mudas produzidas pelo Viveiro do Guatupê, em Curitiba. ‘‘Queremos mostrar que o nosso trabalho é muito importante para a sociedade, porque nossas mudas colaboram para o reflorestamento de todo o Estado’’, salientou Silva. Foram distribuídas 500 mudas de bracatinga, chuva de ouro, amora, ipê amarelo, araçá e pitanga. Além das mudas, os sindicalistas entregaram ainda 8 mil panfletos com as principais reivindicações da categoria. Entre elas, a implantação de uma política ambiental e agrícola, o fechamento da Estrada do Colono, garantia e manutenção do emprego do servidor público e reposição salarial.
A assessoria de imprensa do Palácio Iguaçu informou que o Estado não tem recursos para fazer o reajuste salarial de todo o quadro geral, que conta com cerca de 42 mil servidores. No entanto, a próxima reposição, que ainda não tem data marcada, deverá contemplar a categoria.
Corpo-a-corpo - Uma comissão de empregados ligados ao Sindicato Nacional de Instituições de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário também fez ontem um corpo-a-corpo na Assembléia Legislativa para pedir apoio dos parlamentares à campanha salarial da categoria. Os trabalhadores entregaram cartas aos deputados estaduais, vereadores, prefeitos e lideranças nas quais pedem a reposição das perdas acumuladas de maio de 1998 a abril deste ano. O sindicato também pediu a manutenção da pesquisa agropecuária e florestal pública e gratuita e maiores investimentos para pesquisas voltadas à agricultura familiar. (Colaborou James Alberti)

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