GOIOERÊ - O motorista da Prefeitura de Goioerê Paulo Correia de Melo, 45, foi condenado a 27 anos, um mês e cinco dias de prisão em regime fechado pelo estupro e assassinato da menor Franciela de Oliveira, 12, ocorrido em janeiro de 1995. A pena é a maior da história da Comarca de Goioerê e a primeira em que um réu é enquadrado como praticante de um crime hediondo. Isso significa que Melo não vai ter direito a cumprir a prisão na Colônia Penal Agrícola e nem obter a redução da pena por bom comportamento.
O julgamento demorou mais de 12 horas e foi acompanhado por centenas de pessoas. O advogado de Melo, José Borges, tentou convencer os jurados de que não houve estupro, mas não adiantou. Melo foi condenado a 12 anos, um mês e cinco dias pelo estupro e a 15 anos pelo assassinato. Ele era servidor público e bastante conhecido na cidade.
O assassinato de Franciela é um dos crimes mais bárbaros de Goioerê (78 quilômetros a oeste de Campo Mourão). Melo era padrasto da menor e a matou com 25 facadas na manhã de 16 de janeiro. Ele usou uma faca de cozinha. O crime aconteceu poucos minutos depois de a mãe de Franciela, Nair Ribeiro Gimenez, 44, sair para o trabalho. O próprio padrasto pediu que uma vizinha chamasse a polícia e assumiu a autoria do homicídio. Ele deu golpes de faca em si mesmo para simular uma briga.
Preso, o motorista contou que vinha mantendo relações sexuais com a enteada há algum tempo e que a mãe dela sabia disso. Contou também que a menor o ameaçou com uma faca primeiro, porque ele não queria mais manter relações com ela. A polícia nunca acreditou nessa versão.
A mãe de Franciela negou que soubesse de um eventual relacionamento entre a filha e o marido. Disse também que a menina reclamava do padrasto, chegando a ficar alguns dias fora de casa.

mockup