Servidores municipais de Curitiba realizaram ontem à tarde em frente ao prédio da Câmara de Vereadores um ato de protesto contra o sucateamento do Instituto de Previdência Municipal de Curitita (IPMC). Eles cobraram transparência da Prefeitura nas negociações sobre a atual situação financeira do instituto, que pode ter um rombo de R$ 100 milhões. Os servidores não aceitam que o prefeito Cássio Taniguchi envie à Câmara uma possível proposta de criação de um fundo de pensão privado para substituir o IPMC.
Durante a sessão da Câmara, os servidores ocuparam a tribuna da Casa para defender a permanência do IPMC como autarquia de pagamento aos funcionários municipais aposentados e prestador de serviços médicos para a categoria. O legislativo tem uma comissão de investigação que apura as finanças do instituto. A diretora do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismac), Marita Vieira, disse que o déficit mensal gerado pelo não repasse do valor que a Prefeitura deveria remeter ao IPMC é de R$ 900 mil.
A sindicalista disse que a contrapartida dos servidores continua sendo descontada em folha. O não repasse da municipalidade estaria prejudicando os serviços assistenciais que o IPMC presta. Segundo o diretor de imprensa do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Curitiba (Sismec), Mário Casassa, informou que especialidades médicas como fisioterapia, psicologia e angiologia foram suspensos para quem requisita os tratamentos.
Quem está com os exames em andamento só pode retirar duas guias de consulta por mês e não mais cinco como era previsto. Mas o que está gerando inquietação entre os servidores é a possibilidade de o prefeito Cássio Taniguchi enviar uma proposta de criação de fundo de pensão. A diretora do Sismac Marita Vieira lembra que a Prefeitura firmou acordo com os sindicatos para não enviar nenhum projeto de lei para a Câmara antes do saneamento e a prestação de contas do IPMC ser discutida com a categoria.
‘‘A prefeitura não tem estudos que possam informar o número de servidores que irão se aposentar e nem uma projeção de vida destes futuros beneficiários, como é que vai querer criar um novo fundo de pensão privado?’’, questiona Marita Vieira. A sindicalista informou que os valores que foram deixados de repassar desde a administração do prefeito Rafael Grecca alcançam cerca de R$ 100 milhões. A Folha procurou o superintende do IPMC, Paulo Henrique Munhoz da Rocha, para falar sobre a situação do instituto. Rocha não retornou as ligações. Sua assessoria informou que ele tinha saído para uma reunião e não teria tempo de conceder a entrevista ontem.
De acordo com o setor de comunicação social da Prefeitura, várias rodadas de negociações estão sendo realizadas com os representantes dos servidores. A assessoria rebateu informações de que o IPMC possa ser privatizado.Mauro FrassonManifestaçãoAto realizado ontem em frente à Câmara Municipal reuniu servidores descontentes com a situação do instituto de previdência do municípioDimitri do Valle

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