Servidor é morto a tiros durante jogo
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
O funcionário público Marcos Antonio de Oliveira, 25 anos, o Marquinhos da 18ª Regional de Saúde, foi executado com cinco tiros na tarde de anteontem durante uma partida de futebol, no bairro Jardim Figueira, em Cornélio Procópio. Por causa de um desentendimento em campo, o pintor Luciano Matias, 18 anos, sacou seu revólver calibre 38 e descarregou a arma em Marquinhos, que teve morte instantânea. Matias fugiu após o crime, mas foi preso ontem no início da tarde, em sua casa, na área central da cidade.
Segundo o árbitro da partida, Eli Francisco dos Reis, o Jabuti, os dois rapazes disputavam uma jogada quando se desentenderam. Houve troca de insultos e Matias teria ido até a lateral do campo e apanhado seu revólver que estava em uma mochila. O jogo era uma semifinal do Torneio das Associações de Moradores dos Bairros de Cornélio Procópio. No momento do crime, restava apenas seis minutos para o fim da partida. Jabuti disse que nenhum dos dois rapazes aparentava ter ingerido bebida alcoólica.
Após o crime, Matias fugiu pulando diversos muros das casas do Jardim Figueira. Ontem, por volta das 13 horas, a Polícia Militar cercou sua casa e ele acabou se entregando. A arma usada no crime não foi encontrada. Matias afirma ter perdido o revólver durante a fuga.
Ontem, em seguida a sua prisão, Matias disse à Folha que não conhecia Marquinhos. Eu conheci ele no mesmo dia do futebol. Estávamos jogando e nos desentendemos. Ele me provocou e eu perdi a cabeça. Quando comecei a atirar meu deu um branco e precisei descarregar o revólver nele, contou.
Matias disse ainda que não tem porte de arma e que raramente andava armado. Nos últimos três meses eu estava recebendo ameaças de uma gangue e comprei o revólver para me defender. Eu sempre apanhava dessa gangue. Por isso fui armado ao futebol, afirmou. Ele disse ainda que já foi preso, quando era menor de idade, por porte ilegal de arma.
Marquinhos era casado e tinha uma filha. Ele trabalhava há cinco anos na 18ª Regional de Saúde no setor de marcação de consultas. Ontem, o órgão só deu expediente até as 13 horas. O corpo foi sepultado à tarde, no cemitério municipal. Centenas de pessoas acompanharam o enterro. Marquinhos era tido como funcionário exemplar da Regional e admirado na comunidade pela atenção que dispensava aos pacientes, principalmente às pessoas idosas.





