Servidor acampa na frente da prefeitura
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terça-feira, 03 de dezembro de 1996
Luciane Tonon 
JACAREZINHO - O assessor legislativo da Câmara de Jacarezinho, João Batista Klein, está acampado desde ontem na frente da prefeitura como forma de protesto pelo descaso com que a administração vem tratando a questão salarial do funcionalismo. Klei pediu sua exoneração na semana passada porque não aceitava os atrasos de pagamento. Ele é funcionário público há 13 anos, mas diz estar fazendo a manifestação como cidadão e não como servidor. Até a tarde de ontem, o protesto havia sido aderido por outros funcionários. Todos vestem roupas pretas para demonstrar luto. Eles pretendem ficar ali até que haja uma providência legal.
A prefeitura está literalmente abandonada. Em 10 anos de trabalho nunca vimos tanto descaso com o funcionalismo, afirmou Klein, referindo-se à ausência do prefeito Emannuel Gonçalves Vieira (PTB) e do assessor administrativo Airton José Setti Nogueira. Segundo ele, entre atrasos salariais e fornecedores, a prefeitura já acumula uma dívida de R$ 1 milhão.
O assessor acusa que alguns funcionários e veradores já receberam o salário até o final do ano, enquanto outros não recebem desde agosto. A estimativa é que 600 funcionários estão sendo discriminados com o salário atrasado. A arrecadação do município é de R$ 650 mil e o gasto com a folha é de 51%, onde está indo o dinheiro?, indagou o assessor. Klein afirma também que há quatro meses a prefeitura não recolhe o FGTS e INSS. Na folha de pagamento dos que estão recebendo, os encargos estão são descontados normalmente.
O convênio com o Supermercado Jacaré, também descontado na folha, não está sendo repassado há quatro meses, acumulando uma dívida de R$ 61 mil. Esta semana o supermercado cortou o convênio. Como que os funcionários sobrevivem sem dinheiro e sem convênio?, ressaltou o vereador José Paulo Garcia (PDT). O convênio com a Central de Abastecimento S.A (Ceasa), que fornecia compras comunitárias para os servidores de baixa renda, também foi cortado.
Além dos servidores, o Conselho Tutelar também fechou as portas ontem por falta de recursos para trabalhar. Já no setor da saúde, 22 agentes comunitários foram dispensados na semana passada sem receber os devidos acertos. Além de não recebermos há dois meses, querem que aceitamos a situação, afirmou a auxiliar de enfermagem Patrícia de Andrade.
O prefeito e o assessor administrativo não foram encontrados para prestar esclarecimentos. Conforme informações obtidas na prefeitura, salários de alguns funcionários estão sendo acertados mediante compromisso formal com a Promotoria Pública.


