O ‘‘Disque Pileque’’ é apenas mais uma alternativa na vasta gama de opções que o londrinense pode encontrar na lista telefônica da Sercomtel. São pelo menos 47 ‘‘disks-alguma coisa’’, sem contar os abrasileirados ‘‘disque-isso ou disque-aquilo’’. Tem opção de todos os gêneros para todos os gostos e bolsos.
A história toda, por ironia, começou com uma anedota: em 1979 a Sercomtel disponibilizou para os clientes o serviço ‘‘Disque-Piada’’. Foi um dos primeiros do gênero no Brasil. No mesmo ano chegou o ‘‘Tele-horóscopo’’ e, em 1982, o mais famoso do grupo: o ‘‘Disque Amizade’’.
Mas foi em meados da década de 80 que muitas empresas descobriram o grande filão que é a prestação de serviços por telefone, levando o produto até a casa dos clientes. O primeiro setor que passou a explorar com mais intensidade este segmento foi o das pizzarias.
Tanto deu certo que, além da pizza, o londrinense também tem à disposição um vasto cardápio para pedir via telefone. Comida chinesa, árabe e japonesa, filés, assados, lanches, peixes e marmitex. E tem mais: além de não morrer de fome, o cliente pode também variar os pedidos, partindo para setores distintos. Alguns exemplos: disk moldura, disk caçamba, disk entulho, disk cosméticos, disk garçon, disk água mineral etc.
Mas tem coisas ainda mais curiosas. Alguém, fora de Londrina, pode imaginar o que se passa em um Disk Psiu? Pois existe e o negócio não é tão estranho quanto parece. O serviço é oferecido pela Secretaria de Cultura de Londrina desde 1994 com objetivo da dar informações à comunidade sobre a própria Cidade, pelo número 300-1996.
Outro exemplo curioso: Disk Vituria. A Folha ligou para o número apontado na lista telefônica e ouviu uma mensagem de secretária eletrônica, dizendo que se trata de um consultório de fisioterapia estética. Já para um outro serviço ‘diferente’ encontrado na lista deste ano, um tal Disk Tower, nem adianta ligar para tentar descobrir o que é: o telefone mudou e a empresa não funciona mais na Cidade.
O ‘‘Disque Pileque’’ de Londrina não é uma iniciativa inédita no Paraná. Em 1995 a própria Polícia Militar (PM) de Curitiba implantou um serviço parecido, só que não cobrava nada do motorista. A pessoa que sentisse que não estava mais em condições de dirigir ligava para a PM e solicitava uma viatura. Uma dupla de policiais ia até o local, um deles assumia a direção e levava a pessoa no próprio carro (só que no banco do passageiro). Sem multa ou punição.
O cabo Pedro Borges, do Batalhão de Trânsito da PM de Curitiba, lembra que o serviço funcionou durante o ano de 1995 e parte de 1996, principalmente nos finais de semana. Embora tenha tido repercussão nacional na época, o ‘‘Disque Pileque’’ acabou extinto por falta de chamadas. ‘‘Talvez o pessoal tivesse receio, mas era mesmo raridade a pessoa chamar a gente.’’

mockup