Serviços extras deixam cidade suja
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terça-feira, 22 de março de 2005
Camilla Rigi<br> Reportagem Local 
Praças e canteiros de avenidas de Londrina são, a cada dia, um pouco mais engolidos pelo mato. ''Onde está a prefeitura que não vê isso?'', perguntam muitos cidadãos, que ligam diariamente para a Folha de Londrina. A explicação do diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), João Verçosa, é que a empresa contratada para limpar lotes públicos, a Visatec, está sendo solicitada para fazer serviços não previstos em contratos.
Entre os terrenos extras que foram roçados nas últimas semanas pela Visatec estão o Cemitério da Saudade e o Lago do Cabrinha, ambos na Zona Norte. Serviços que consumiram duas semanas, segundo o gerente financeiro da Visatec, José Geraldo Leibanti. ''E ainda tem o problema das chuvas de janeiro que atrasaram o trabalho no restante da cidade''. Leibanti acredita que se a estiagem continuar, e a CMTU não requisitar outro serviço extra, em 20 dias a roçagem estará normalizada.
Segundo Verçosa, o contrato com a empresa foi assinado em 2002, quando o Lago Cabrinha não tinha sido urbanizado. ''Além disso, o documento não comtempla todas as áreas públicas da cidade. Por isso, deslocamos a empresa para fazer outros serviços''. Ele diz que a CMTU já começou a fazer um levantamento das áreas descobertas pelo contrato para abrir uma nova licitação, como é o caso dos fundos de vale. Mas o processo só deve ser concluído no próximo semestre.
A reportagem da Folha entrou em contato com o ex-presidente da CMTU, Wilson Sella (atual secretário da Fazenda), para esclarecer porque nem todos os terrenos foram listados no contrato. ''Cemitérios, estádios e escolas quem limpa é a secretaria responsável pela área. Quanto ao resto da cidade, me lembro que a empresa foi contratada para limpar toda a área urbanizada na época''. Contudo, o atual diretor de operações afirma que fundos de vale como o do Ribeirão Quati não estão na lista da Visatec.
O contrato ainda exige um número mínimo de pessoas para executar o trabalho. De acordo com o gerente da Visatec, são pelo menos 80 funcionários. ''Desde dezembro estamos com 120 pessoas'', declara Leibanti, que sabe que no verão o mato cresce mais rápido. Pelo contrato, a empresa deveria roçar uma vez por mês cerca de 8 milhões de metros quadrados.
A reportagem tentou novo contato com Verçosa após a declaração de Sella, que cemitérios devem ser limpos pela secretaria responsável, para questionar por que a Visatec está sendo deslocada para este serviço, mas não conseguiu encontrá-lo. A empresa recebe mensalmente R$ 220 mil pelo serviço em toda a cidade.


