Serviços essenciais ainda temem o 'bug'
Maigue Gueths
De Curitiba
Empresas que prestam serviços essenciais à população, como a Sanepar e a Copel, e as encarregadas da informatização de toda estrutura do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal de Curitiba estão se preparando há pelo menos três anos para enfrentar a virada do ano e o tão temido bug do milênio.
A preocupação é grande em todos os setores, mas apesar das empresas estarem se preparando e testando insistentemente seus equipamentos, todos são unânimes em afirmar que os efeitos da virada só serão realmente conhecidos no dia 1ª de janeiro de 2000. Isto porque os sistemas de cada empresa não estão isolados, e suas performances dependem de fatores externos.
A Copel e Sanepar estão fazendo as adaptações em seus sistemas desde 96 para garantir que não aconteça nenhuma pane no abastecimento de água e luz. Na Sanepar, 90% do trabalho já está conluído: três milhões de linhas de códigos de programas e 14,6 mil programas de sistemas foram verificados e mudada a data, 900 computadores individuais e os 342 microcomputadores portáteis que fazem leitura de campo com emissão simultânea de contas também já foram preparados.
Na Copel, o trabalho envolveu a verificação de 47.000 programas e 11,5 milhões de linhas de código. As duas empresas também já fizeram vários testes. A Sanepar prepera-se, inclusive, para fazer uma grande prova, de 4 a 8 de setembro, simulando a operação do sistema como se estivesse operando entre os dias 1ª e 4 de janeiro de 2000.
O coordenador da Comissão Copel de Adaptação de Equipamentos ao ano 2000, Roberto Rathunde, diz que já foram feitos diversos testes na empresa, um deles interligado a onze empresas do setor elétrico no País. Com a coordenação do Operador Nacional de Sistema, serão feitos testes, ainda, para o funcionamento interligado de todas as 74 empresas do setor. A Copel não opera isolada, ela é ligada a outros setores elétricos no Brasil, que é o que permite que o excedente de energia do Paraná seja enviado a outros estados ou que, em caso de seca, por exemplo, recebamos energia de outros estados, diz.
Rathunde acha que a possibilidade de ocorrer algum problema é remota. O maior risco seria acontecer um apagão, semelhante ao dia 11 de março, quando um problema na estação de Bauru (SP) causou um blackout no País. Isto pode acontecer porque o sistema está interligado, exemplifica. Na Sanepar, sem as adaptações, poderiam acontecer desde erros na emissão das faturas até problemas no abastecimento de água nos grandes centros, como Curitiba e Londrina, que têm estações de tratamento de água e esgoto totalmente informatizadas.
A Companhia de Informática do Paraná (Celepar) e o Instituto de Curitiba de Informática (ICI), responsáveis pela informatização do Estado e do município de Curitiba, respectivamente, também trabalham duro. A Celepar já converteu 6,5 milhões de códigos de programa e adaptou cerca de 20 mil computadores em 70 órgãos do governo. Já na ICI, foram convertidos 8 milhões de linhas de programa e 98% dos sistemas estão prontos.
A Superintendência Regional da Receita Federal garante que não haverá nenhum problema nos sistemas nacionais, que afetam a sociedade. São os sistemas encarregados dos disquetes de pessoas física e jurídica, de download na internet e do Sistema de importação e exportação (Siscomex). Ao todo, a instituição já converteu quase 6 milhões de linhas de programas.Empresas como a Sanepar e a Copel proíbiram férias de funcionários na virada do ano para enfrentar o bug do milênio
Reprodução/InternetBESOUROAnimação que circula na Internet e faz uma interpretação sobre o bug que ameaça os microcomputadores





