Serviços de emergência e empresas funerárias são as mais punidas
A aplicação de multas no trânsito de Curitiba tem atrapalhado o serviço de emergência de atendimentos médicos e de funerárias da cidade.
Segundo o diretor da Funerária Paranaense, Carlos Sysocki, todos os dias chegam entre duas a três multas referentes a estacionamento irregular ou excesso de velocidade.
Os oito motoristas da funerária estão quase perdendo a carteira por causa da quantidade de pontos perdidos com os autos de infração. ‘‘Eles terão que mudar de profissão e vender cachorro-quente nas ruas se nada for feito’’, denuncia Sysocki.
O diretor da funerária diz que uma das multas recebidas durante o mês passado gerou muita discussão. Os agentes da Diretran teriam multado um carro identificado no estacionamento exclusivo para funerárias do Hospital Santa Casa da Misericórdia, no centro da cidade.
‘‘Não temos qualquer privilégio e ainda somos multados quando estamos estacionados no local adequado’’, reage ele. Sysocki afirma que já está recorrendo da multa, mas não tem muitas esperanças de suspendê-la. ‘‘Todas as vezes que recorremos, não temos sucesso’’, alega.
A Funerária Paranaense gasta, de acordo com Sysocki, 10% do faturamento mensal com o pagamento das multas. Além das multas, outra reclamação é em relação ao pagamento do Estar.
‘‘Daqui uns dias terei que começar a cobrar dos clientes as multas que recebo para não ter prejuízos’’, afirma.
Situação ainda mais grave é vivida pelas redes de atendimento a emergências médicas. Segundo o chefe de tráfego da Ecco-Salva, Dilson Luis Trentin, por dia são recebidas cerca de 22 multas com as mais diversas irregularidades, desde excesso de velocidade, passagem em canaletas de expressos até estacionamento irregular.
‘‘Isto é um absurdo, está faltando competência aos agentes da Diretran’’, reclama. ‘‘Cadê a preferência de trânsito para a ambulância?’’, pergunta.
Trentin diz que recorre de todas as multas recebidas, mas de cada 30 autos de infraçãoa apenas dois são abonados. ‘‘O restante a gente tem que pagar mesmo’’, alega.
Para que os 76 motoristas da empresa não percam a carteira de habilitação, a Ecco-Salva não divulga os nomes deles para o órgão de trânsito. ‘‘Pagamos a multa dobrada para não perdermos profissionais’’, afirma Trentin.
Os gastos com multas de trânsito na empresa variam entre R$ 1.500,00 a R$ 5.500,00 por mês. ‘‘Tem meses que temos tantas multas para pagar que não sabemos direito por onde começar’’, salienta. ‘‘A verdade é que não podemos parar, temos que correr para atender as emergências, sob pena de perdermos uma vida’’. (L.P.)

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