Serviços básicos que fazem falta
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sexta-feira, 02 de novembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Os moradores da zona leste de Londrina, que inclui os jardins Pindorama e Interlagos e a Vila Fraternidade, entre outros bairros, estão vivendo uma revolução. Um novo conjunto de prédios e uma grande loja já estão prontos e um shopping está se instalando no local. Já é possível perceber o aumento de fluxo de veículos e a Unidade Básica de Saúde (UBS) da região, que já funciona de forma precária, está ainda mais saturado, por causa do atendimento aos operários da obra do shopping. Esses exemplos mostram que falta ainda a oferta de serviços básicos para a população.
Na manhã de ontem operários abriram um buraco no piso da UBS da Fraternidade e descobriram um vazamento de água. Porém, esse é apenas um dos problemas da unidade. As salas cheiram a mofo, o forro está descascando por causa da infiltração, o piso está cedendo e as rachaduras estão por toda parte.
Funcionários que não quiseram se identificar disseram que o problema não é recente, mas que nenhuma providência é tomada. ''Quando chove temos que suspender os exames na sala do ginecologista. Uma das tomadas na sala de curativos já deu curto-circuito e o piso é de madeira, totalmente inadequado para o local'', contou um dos servidores.
De acordo com eles, os operários da construção do novo shopping são levados ao local para tomar vacinas e receber medicamentos. ''É complicado, o posto fica lotado, mas eles também têm direito ao atendimento'', comentou a dona de casa Marisa Lopes de Souza. Moradora da Vila Fraternidade há 45 anos, ela tem várias críticas a fazer sobre o posto.
''Aqui não tem pediatra e falta clínico geral também. Minha filha já teve um ataque de asma e os funcionários tiveram que levá-la no carro deles para o Pronto Atendimento Infantil (PAI)'', reclamou a dona de casa.
Outra queixa de Marisa é a falta de vaga nos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) nos bairros próximos. Todo dia ela tem que levar a filha de 6 anos para a Cmei Valéria Veronese, no centro. ''Tentei vaga aqui na Anita Garibaldi (escola municipal), mas não consegui vaga'', lamentou.
A manicure Cláudia Ribeiro Umbelino, moradora do bairro há 42 anos, reclamou da falta de calçadas que, em conjunto com o aumento do fluxo de veículos, aumenta o risco das crianças que vão diariamente para a Escola Anita Garibaldi.
Com a residência quase na esquina das ruas Santa Margarida e Santa Bárbara, Cláudia já teve o muro derrubado por um veículo que perdeu o controle na curva e teme que um dia possa acontecer o mesmo com um ônibus urbano. ''Aqui nos horários de rush vira uma confusão. Juntam as crianças, os carros e os ônibus, é um perigo, porque não tem sinalização alguma, ninguém sabe quem é que tem que parar, não tem uma faixa de pedestres e também calçadas'', destacou.
A falta de creches também é um transtorno para a funcionária da Zona Azul Aline Brito Santos. Com uma filha de 1 ano e meio, ela perdeu o dia de trabalho ontem, porque a vizinha que cuida da bebê ficou doente. ''Tentei vaga aqui, na creche do Jardim Pindorama e nada. Talvez só para fevereiro do ano que vem. Enquanto isso, eu dependo dos outros e, se ela fica doente, não tenho como ir trabalhar. Outras mães vão ter o mesmo problema, porque ela não fica só com a minha filha.''


