Belém não passava de uma pequenina cidade localizada a 10 km de Jerusalém. De porta em porta, conforme diz a Bíblia, um casal pedia abrigo. A mulher já sentia as dores do parto e precisava de um local para dar à luz. Porém, a resposta era sempre a mesma: não havia lugar. Só restou a Maria e José um estábulo, onde Jesus Cristo nasceu.
Lá se vão mais de dois mil anos que a história do Natal aconteceu. Já naquele tempo as pessoas tinham dificuldade para ajudar desconhecidos. De fato, estender as mãos e abrir o coração não é tarefa fácil. Porém, aqueles que experimentam garantem que vale a pena.
Nesta época de fim de ano, quando reflexões são inevitáveis, muitos sentem vontade de ajudar. Crianças pobres ganham ''padrinhos.'' Cartinhas endereçadas ao Papai Noel são adotadas nos Correios. Instituições de caridade recebem mais doações. No entanto, há os que ajudam o próximo o ano inteiro, incluindo as ações voluntárias na agenda do dia-a-dia.
Com apenas 15 anos de idade, Emanuela Paluski Pereira assinou a sua ficha de voluntária no Asilo São Vicente de Paulo na última semana. Depois de dois meses comparecendo à instituição como visitante, agora ela carrega no peito um crachá e no coração a alegria de ter encontrado entre os abrigados do asilo novos amigos, que usam roupas diferentes da ''galera teen'' e também não sabem todas as gírias da moçada, mas precisam de carinho e atenção. No fim das contas, a diferença de idade não atrapalha em nada. A prova disso é que o número de voluntários adolescentes no asilo só aumenta.
Emanuela começou com as visitas convidada por uma amiga. Por sua vez, a moça levou para o trabalho voluntário Jéssica Belisário, 12 anos, que ''estreiou'' no dia em que a reportagem da FOLHA esteve no asilo. ''Pedi para vir porque acho que vai ser super legal conhecer gente diferente. Estou adorando'', comentou Jéssica.
Emanuela conta que é voluntária no asilo porque gosta. ''Quando venho aqui me sinto bem, pois faço alguém feliz. Esta experiência me fez ver o mundo de outra forma'', relata a moça, que além de ouvir, conversar e passear com os novos amigos também ajuda nas aulas de informática e outros serviços.
Para quem mora no asilo, a palavra voluntário tem um siginifica amplo, especial. Abandonada ainda criança em um hospital de São Paulo (SP), Maria de Lourdes Macedo, 40, conta que ficou desconfiada quando viu os adolescentes chegando. ''Hoje em dia não vemos jovens dando atenção para a gente. Quando eles vieram fazer amizade, achei que não iria durar. Eu estava enganada, eles são como anjos que Deus põe na nossa vida'', revela Maria de Lourdes, que esquece as sequelas da paralisia infantil a cada passeio com as novas amigas.
De acordo com a assistente social do asilo, Rita de Cássia Lopes, atualmente em torno de 50 pessoas atuam voluntariamente na instituição. Sem eles seria impossível dar um atendimento digno aos 98 idosos que moram lá.

mockup