Espancamento, incesto, assédio sexual, estupro, ameaças e assaltos. Um serviço especial para receber denúncias, por telefone, de violência contra a mulher deve ser implantado no próximo ano no Estado. A nova ouvidoria - uma reivindicação do Conselho Estadual da Mulher no Paraná - provavelmente funcionará 24 horas e será vinculada à Ouvidoria Geral do Estado. As denúncias poderão ser ou não anônimas. ‘‘Acreditamos que o serviço vai possibilitar a solução de casos até agora omitidos pelas mulheres, ou porque têm medo das consequências da denúncia ou porque não querem que seus nomes estejam relacionados a esse tipo de situação’’, disse Alzeli Basseti, presidente do conselho.
Alzeli aproveitou o Dia Nacional de Luta Contra a Violência Contra a Mulher, lembrado ontem em Curitiba, para afirmar que denunciar as situações de violência, vividas no mercado de trabalho ou dentro de casa, é a única forma de evitar que o fato se repita. Segundo ela, o sucesso profissional das mulheres nos últimos anos está entre os fatores que as tornaram alvo mais frequente dos assaltantes.
Também aumentou significativamente nos últimos anos no Paraná o número de casos de incesto, chamado também de estupro familiar. O motivo do aumento, segundo Alzeli, seria o uso de uma justificativa para o crime. ‘‘Muitos pais e até avôs que cometem esse tipo de barbaridade alegam que optaram por ser os iniciadores sexuais das meninas em função da proliferação da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis’’, afirmou.
A delegada Darli Rafael, titular da Delegacia da Mulher, disse que as violências mais comuns contra as mulheres são a agressão física e as ameaças. Apesar de a maior parte das denúncias partir de pessoas economicamente menos favorecidas, a incidência do problema é igual em todas as classes sociais. Ela concorda que denunciar a violência é o primeiro passo para evitar que a situação se repita. Muitas vezes, entretanto, é preciso adotar uma postura mais radical para resolver a situação. ‘‘Não adianta vir até a delegacia, fazer a denúncia e receber atendimento psicológico se a mulher não seguir as orientações que lhes são dadas.’’

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