''Agora é só alegria '' Com essas palavras, a aposentada Vanda Moreira de Carvalho, 60 anos, definiu quais os planos para o futuro após a cura de um Mieloma Múltiplo Diagnosticada com o câncer há quase dois anos, no último dia 3 de setembro ela foi a primeira paciente a receber o transplante autólogo de medula óssea na Unidade de Transplante de Medula Óssea do Hospital Universitário (HU) O procedimento caracteriza-se pelo transplante de células do próprio paciente após submetê-lo a uma forte quimioterapia
Pioneira em Londrina, a unidade foi inaugurada há três meses e, nesse período, realizou cinco procedimentos Ao todo, entre transplantados e em atendimento pré-transplante, são 14 pessoas atendidas
A unidade tem quatro leitos mas, de acordo com a hematologista Letícia Gordan Martins, da equipe do HU, todos os lugares ainda não estão sendo ocupados ao mesmo tempo ''Estamos em fase de adaptação da equipe e às instalações e estrutura de apoio do hospital Hoje, dois leitos estão ocupados '' A estimativa é que sejam realizados de 30 a 40 transplantes por ano
Antes do centro entrar em funcionamento, a única alternativa para pacientes da região era realizar o tratamento em capitais ''Quando soube que poderia fazer o transplante em Londrina, decidi esperar'', contou Vanda, que mora em Cornélio Procópio e considerou o atendimento ''nota mil''
Leandro José de Facce, 26, luta contra o câncer desde 2005, quando foi diagnosticado com linfomas quimiossensíveis no corpo ''Fiz quimioterapia, radioterapia e fiquei bem Depois de alguns anos, o problema surgiu na barriga'', contou ele, que está se sentindo muito bem após receber o transplante da própria medula
''Imaginava que só poderia fazer o tratamento em Curitiba e São Paulo Em dois meses, conseguir realizar o transplnate em Londrina'', contou o morador de Rolândia Para ele, a possibilidade de ficar perto da família é um fator importante de recuperação ''Se eu tivesse que ficar num lugar distante, não seria a mesma coisa ''
Cansado da rotina do hospital, ele aguarda o momento em que poderá voltar a jogar futebol ''Estou muito feliz Espero voltar ao hospital apenas para fazer exames de rotina ''
Rewerson Silva, 38, teve o primeiro diagnóstico da Doença de Hodgkin aos 23 anos Curou-se no Hospital do Câncer de Londrina, mas, 15 anos depois, quando morava nos EUA, descobriu que o problema tinha voltado Ao ser informado que a melhor alternativa era o transplante de medula, decidiu voltar para o Brasil
''Cheguei em julho e já comecei o tratamento'', contou ele, cujo principal plano para o futuro é ficar totalmente curado Rewerson avaliou a cirurgia como ''tranquila'' ''A maior dificuldade é ficar 30 dias no quarto'', disse
Segundo o HU, a demanda por transplantes de medula no Brasil é de 7 mil a 8 mil casos por anos A média realizada, entretanto, não passa de 1,5 mil A fila de espera no Paraná é de até 30 pacientes por mês

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