Em seu primeiro dia de funcionamento, o Disque-Proteção recebeu denúncias de três casos de violência física e dois de negligência, sofridos por crianças e adolescentes de Londrina. Ativado ontem, o serviço é uma parceria entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e a Sercomtel, que permite a qualquer cidadão, anonimamente, comunicar casos de violência cometidos contra menores.
Há três anos, a UEL desenvolve um projeto de atendimento a crianças e adolescentes vítimas de agressões. Até a semana passada, os casos eram todos encaminhados pelo Conselho Tutelar de Londrina, para serem acompanhados por profissionais de psicologia, serviço social e direito da universidade. Desde que o projeto foi implantado, 151 casos foram atendidos. Desses, 110 foram efetivamente caracterizados como violência. Em 34% dos casos, as denúncias partiram das próprias famílias. Outros 36% foram comunicados por profissionais de saúde, educação, militares e vizinhos. Denúncias anônimas e abordagens de rua somaram 2%. E em 7% dos casos, foram as próprias vítimas que fizeram a denúncia.
Mas segundo uma das coordenadores do Disque-Proteção, a professora da UEL Vera Lúcia Suguihiro, o total de denúncias está bem abaixo da quantidade real de casos de violência contra crianças e adolescentes na cidade. ''Com esse novo serviço, queremos dar mais visibilidade ao problema, que não abrange apenas violência física, mas emocional também'', afirma.
De acordo com a professora, a subnotificação dos casos ocorre porque as pessoas têm medo, receio ou constrangimento de informar sobre suspeitas de violência. Por isso mesmo o projeto recebeu o nome de disque-proteção, ao invés de disque-denúncia. A presidente do Conselho Tutelar 3, Rita Bastos, concorda que o medo acaba impedindo várias denúncias. ''O disque-proteção ajuda porque muitas pessoas não denunciam por acharem que vão ter que se identificar, embora nós (do Conselho) respeitemos o anonimato'', destaca. Ao telefonar para o novo serviço, é preciso apenas comunicar o endereço da vítima e descrever o tipo de violência observada.
Sobre o perfil dos menores vítimas de violência, Vera diz que é preciso desmistificar a idéia de que os casos estejam sempre associados à pobreza. ''É a forma de camuflar a violência que difere. Não quer dizer que o pobre apanha ou bate mais do que o rico'', afirma. A professora destaca ainda que o atendimento psicossocial se estende aos agressores que, muitas vezes, pensam que, ao agredir as crianças, estão aplicando uma medida pedagógica. ''O violentador é alguém que, em algum momento da vida, também foi violentado. É preciso romper com esse ciclo de violência'', ressalta.
Serviço O Disque-Proteção funciona das 8 horas às 18 horas. O telefone é 0800-4008090

mockup