Serviço público busca alternativas para diminuir a legião dos inadimplentes
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sexta-feira, 20 de dezembro de 1996
Lúcio Horta 
A crise econômica, aliada às festas (e compras) de final de ano, está provocando um fenômeno tão óbvio quanto preocupante: a inadimplência nas contas de serviços públicos e moradia. Algumas companhias, como Cohab e Sanepar, apresentam números de devedores maiores se comparados ao ano passado.
No caso da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), por exemplo, o número é assustador: em novembro, mais da metade dos mutuários (51%) estavam com prestações atrasadas, contra apenas 20% do ano passado. Em números: entre os 26.752 mutuários, nada menos do que 13.647 deviam duas ou mais prestações da casa própria.
Outro fator: até o ano passado, a arrecadação nos últimos três meses do ano historicamente aumentava, ao contrário do que aconteceu em 96. No caso da prestação é mais grave porque é um problema social, de moradia, explica o presidente da Cohab, Wilson Sella.
Um dos grandes problemas é que, a partir do segundo mês em atraso, o mutuário fica sem a cobertura do seguro que garante a ele a quitação do imóvel em caso, por exemplo, de morte do titular. Ou seja, se o pai de família morre repentinamente, a esposa não fica com o imóvel quitado.
Para aumentar a arrecadação, a Cohab tem atacado em duas frentes: uma campanha para conscientizar o mutuário do risco de ficar sem o seguro do imóvel e também na questão do contrato de gaveta (veja texto nesta página).
Os resultados começaram a aparecer, mas de forma bastante tímida. Wilson Sella informa que nos primeiros 16 dias de dezembro a inadimplência caiu para aproximadamente 45%.
Já a Sercomtel S/A Telecomunicações resolveu adotar uma postura mais firme contra a inadimplência. Em vez dos 60 dias que o cliente em atraso tinha com o telefone ligado, a empresa passou a cortar a linha já no décimo-quinto - parcialmente para o sistema convencional (a pessoa só recebe ligações) e corte total para o sistema celular. Depois de 30 dias em atraso, o cliente do sistema convencional também tem seu telefone cortado totalmente.
As mudanças, que começaram a ser implantadas há aproximadamente dois meses, atendem a portaria 633 do Ministério das Comunicações. Essa portaria foi expedida ainda no final da década de 70. A Sercomtel observava uma situação diferente das demais empresas: era a única que dava até 60 dias para o cliente pagar a conta. Essa situação contribuía para o crescimento da inadimplência, observa o gerente financeiro da Sercomtel, Rubens Pavan.
O gerente explica que, além de não receber as contas em dia, a empresa acabava financiando a conta do cliente: no caso de interurbanos nacionais e internacionais, por exemplo, a Sercomtel tinha que repassar nos prazos a dívida com outras companhias.
Para Pavan, a expectativa é que a partir de agora o quadro seja revertido. Os prazos foram encurtados e já estamos sentindo que houve uma melhoria. Mas só quando fecharmos dezembro será possível avaliar melhor a situação.
Em novembro de 95, a inadimplência para contas telefônicas com mais de 30 dias de atraso era de 29%. Este ano, o número é um pouco menor: 22%. Pavan observa que, nesse período, o faturamento da empresa cresceu em torno de 50% e o número de aparelhos foi acrescido em mais 15,8%. Esses aumentos poderiam ocasionar um reflexo na inadimplência, mas ocorreu o contrário.
Pavan adverte que, a partir do ano que vem, será adotada uma política agressiva de cobrança. Nosso departamento jurídico será mais acionado.


