Há mais de dez anos os adolescentes da cidade têm direito a atendimento diferenciado em diversas áreas da saúde. E o melhor, de graça. Agora, porém, os pacientes do Centro de Referência ao Adolescente de Londrina (Cral) terão que adaptar-se ao novo sistema do serviço, que está passando por readequações. As mudanças serão promovidas com o intuito de expandir o tratamento especializado, mas o motivo foi a necessidade de saída do atual prédio, que pertence ao Estado e abriga o Centro Integrado de Doenças Infecciosas (Cidi).
As alterações são criticadas pelo hebiatra Walter Marcondes Filho, um dos responsáveis pelo serviço. ''Os jovens não são respeitados. Eles servem para votar, mas não têm o direito de ter um lugar para ser atendidos'', afirma. Ele acrescentou que a mudança de prédio foi feita por pressão da 17 Regional de Saúde. ''Se o trabalho não der mais certo, a responsabilidade será da Regional'', acrescenta.
O atendimento, por enquanto, está sendo feito no primeiro andar do prédio mas as consultas com os hebiatras passarão para a Políclinica, na Zona Oeste. A readequação prevê ainda que funcionários das Unidades Básicas de Sa© úde e do Programa Saúde da Família sejam treinados para atender os adolescentes de forma mais adequada.
''Se o investimento na qualificação dos funcionários for feito corretamente e conseguirmos sensibilizar toda a rede pública, Londrina será a primeira cidade do País a contar com serviços desse nível'', afirma Marcondes. O profissional adverte, porém, que se a transição não for bem feita, um trabalho de dez anos pode ser perdido.
Há três anos recebendo atendimento ginecológico no Cral, uma jovem de 16 anos, moradora da Zona Norte, confessa estar insatisfeita com as adequações. Ela terá que procurar a UBS mais próxima a sua casa, que fica no Conjunto Aquiles Sthenghel, mas a principal preocupação da jovem é quanto ao tempo que levará para ser atendida. ''Aqui eu espero no máximo uns 15 dias para ser atendida e no posto a gente chega a esperar até três meses'', reclama.
Durante o período de transição, o atendimento das gestantes e pacientes que precisam de acompanhamento continuará a ser feitos três vezes por semana, na Policlínica. De acordo com a diretora de Epidemiologia e Informações em Saúde, Simone Narciso, os outros dois dias deverão ser usados para o treinamento dos funcionários do sistema. A meta é concluir a capacitação em outubro.
Referência - O Cral tem referenciamento do Ministério da Saúde porque oferece atendimento global, com consultas com hebiatras (pediatras especialistas em adolescentes), psicóloga, enfermeira e assistente social. De acordo com Marcondes, o modelo tem alcançado bom desempenho, com 95% de resolutividade. Perto de 4 mil adolescentes passam por ano no Cral. Como 30% da população tem entre 10 e 24 anos, o número potencial de atendimentos atinge cerca de 150 mil jovens. (Colaborou Fernanda Borges)

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