Serviço funerário está longe de uma solução
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segunda-feira, 28 de maio de 2001
Sid SauerDe Campo Mourão 
A criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Serviços Funerários em Campo Mourão vem colocando em discussão um assunto polêmico e de difícil solução: afinal, qual é o sistema ideal de trabalho para as funerárias? Rodízio, municipalização ou livre concorrência?
O sistema de rodízio em Campo Mourão foi implantado há oito anos. Na época, ele foi apresentado como sendo a solução para as brigas que existiam entre funerárias da cidade por corpos. Havia até suspeitas de que funcionários de hospitais tinham um caixinha para avisar uma determinada funerária assim que algum paciente morresse.
Com o rodízio, de fato, esse problema acabou. Mas surgiram outros. O mais grave deles é que o consumidor perdeu o direito de escolher onde comprar os serviços funerários. A família é obrigada a adquirir um caixão da funerária que estiver na vez. Assim, não causa nenhuma surpresa o fato das duas funerárias da cidade terem exatamente o mesmo preço para todos os seus produtos.
Os donos das funerárias se defenderam durante a CPI dizendo que os preços são tabelados pela prefeitura. A tabela, porém, define o preço máximo. Se houvesse concorrência, talvez as empresas pudessem dar descontos nessa tabela. Isso sem contar que produtos que não são tabelados pela prefeitura, como coroas e cruzes de madeira, por exemplo, também têm o mesmo preço (R$ 55 e R$ 30).
A falta de concorrência é tamanha que as empresas se dão ao luxo de funcionarem no mesmo prédio, usando um mesmo gerente e revezando funcionários. O sistema irrita o consumidor que se sente indefeso num dos piores momentos da vida, que é a morte de um familiar ou amigo. Para piorar, uma lei municipal impede a contratação de funerárias de outras cidades.
Pelo que a CPI apurou até agora, nem a municipalização parece ser ideal. Pelo menos as tabelas de preços repassadas à comissão mostram que onde o serviço é municipalizado, como em Londrina, os preços são bem maiores do que em Campo Mourão. Isso sem contar que a municipalização poderia comprometer a qualidade do serviço com o uso de mão-de-obra não preparada, além de inchar o quadro de servidores municipais.
Uma das saídas, talvez, esteja na criação de um conselho para fiscalizar o serviço e apurar denúncias. Um conselho formado por representantes de entidades organizadas e pelo próprio poder público. Não custa tentar.


