No início da tarde do último domingo faltou energia em vários pontos de Londrina. Logo após o apagão, a estudante Priscila Ribeiro correu para o telefone para ligar para Companhia Paranaense de Energia (Copel) e saber o que tinha acontecido. Ela pegou a conta de energia e ligou para o 0800. O telefone tocou e a ligação caiu na secretária da empresa ''disque 2 para emergências ou falta de luz''; ela apertou o número 2, a ligação ficou muda e caiu. Isso aconteceu várias vezes. A demora e ineficiência nos atendimentos de emergência não são prerrogativas da Copel, mas características comuns em vários serviços públicos.
Após tentar cinco vezes, Priscila desistiu. Durante o período em que faltou energia, cerca de 15 minutos, ela tentou acionar o porteiro, mas o interfone também não funcionava. Coincidência ou não, no mesmo dia o serviço de telefonia sofreu uma pane e a assessoria de imprensa da Copel informou que somente por este motivo a estudante não conseguiu ser atendida. Segundo a empresa o serviço funciona 24 horas.
Mas há situações piores do que uma simples falta de energia. Há duas semanas, a empresária Arlete Mendonça Peres viu seu carro sendo roubado e ao tentar ligar para a Polícia Militar (PM), no telefone 190, só conseguiu ouvir uma gravação. ''Na hora parece uma eternidade, mas acho que foram uns cinco minutos em que eu liguei várias vezes e não me atendiam'', relembrou. Arlete viu os ladrões irem e voltarem com o carro, porque não sabiam manobrar com câmbio hidramático.
Na tarde de ontem, a reportagem da Folha tentou contatar a PM pelo 190 e ficou 1 minuto e 40 segundos ouvindo a gravação. O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Manoel da Cruz, explicou que há seis atendentes, mas dez linhas de entrada de chamada. ''Se todos tiverem ocupados, o sétimo tem que esperar uma linha'', declarou. Cruz afirmou que em horários de pico são oito policiais para atender as ligações.
Outra reclamação de alguns moradores da cidade é a demora no atendimento da Sercomtel. ''Quando a gente liga nestes call centers, parece que estamos falando com robôs. Todos têm as mesmas respostas e quando pedem para aguardar um minutinho, pode ter certeza que serão mais de 10'', relatou o biomédico Walter Murad. Ele contou que há 10 meses contratou um sistema de internet e já fez 12 protocolos de reclamação para interromper o serviço.
A reportagem da Folha ligou para a empresa na tarde de ontem solicitando uma transferência de endereço da linha e passou por três gravações antes de ser atendida. A primeira pedia para identificar o serviço; a segunda queria saber se o telefone era fixo, celular ou internet; só na terceira gravação havia uma opção para ser atendido. A assessoria de imprensa da Sercomtel informou que a espera normal é de 10 segundos e que as várias gravações servem como sistema de triagem pois a empresa presta diferentes serviços.
Na Sanepar, o atendimento pelo 115 foi mais rápido: em 10 segundos o funcionário atendeu. O serviço, porém, não está livre de reclamações. A desempregada Sirlei Oliveira Borges disse que há um mês teve um problema de vazamento de água em sua rua na Vila Brasil, Área Central. Ela conta que demorou mais de 20 minutos para falar com alguém que pudesse resolver o problema. ''O que pode ter acontecido é ela ter ligado para o PABX da empresa e, então, ter sido transferida'', argumentou o gerente regional da Sanepar, Oscar Fernandes. Ele afirmou que o 115 só fica congestionado em casos de falta de água em alguma região.

mockup