Serviço de pré-natal é mal aproveitado
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quinta-feira, 07 de agosto de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Os serviços de pré-natal oferecidos na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) não são bem aproveitados por muitas gestantes atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo Patricia Morisco, da Unidade de Saúde Mãe Curitibana, é comum as futuras mães faltarem a exames e consultas ou demorarem para procurar orientação médica ao descobrirem a gravidez.
É o caso da dona de casa Neiva da Silva, 26 anos, grávida de sete meses, que só procurou o posto de saúde quando já havia entrado no quinto mês. ''Não marquei a consulta porque era longe da minha casa'', conta. Desde então, Neiva já fez três ecografias, mas faltou a uma que estava agendada. Mãe de dois meninos, questionada se ela segue à risca as recomendações do obstetra, ela reflete e responde: ''não muito''.
Já a ''mamãe de primeira viagem'', Carolina Cason. Com a filha Laura, de 37 dias, no colo, ela afirma que fez todos os exames e consultas, conheceu o hospital onde daria à luz em seu 6º mês e seguiu todas as recomendações médicas. Agora retorna para a consulta pós-parto, apenas para verificar se tudo continua bem.
Atendimento
Quase 9 mil gestantes passaram pelo atendimento municipal de janeiro a março deste ano, em Curitiba. O programa Mãe Curitibana completou nove anos e já acompanhou mais 150 mil mulheres com pré-natal gratuito. As cidades da Região Metropolitana seguem o Programa de Humanização no Pré-Natal, do Ministério da Saúde, com o Sispré-natal. O programa inclui um banco de dados completo, alimentado com informações sobre a gestante como exames, consultas, vacinas, data do parto, entre outras.
Tanto na Capital como nas cidades integrantes do Sispré-natal, os programas de atendimento às futuras mães seguem uma metodologia semelhante. São no mínimo seis consultas ao longo dos nove meses e três ultra-sonografias, sendo uma no início da gestação, uma no meio e a última próxima ao parto. A gestante deve fazer exames físicos e laboratoriais de rotina, ecografia e, no caso de alto risco, são encaminhadas para atendimento especializado.
De acordo com o coordenador do programa Mãe Curitibana, o médico ginecologista e obstetra Javier Boza Jimenez, as grávidas também podem fazer cursos e oficinas e visitar o hospital onde irão fazer o parto. ''Nas unidades de saúde, o acompanhamento começa antes da concepção e pode continuar com o apoio ao planejamento familiar, fornecendo pílulas, DIU ou laqueadura, dependendo do caso''.
Tijucas do Sul, um dos municípios com maiores índices de gestação do Estado, acompanha uma média de 120 grávidas por vez. Soriane Camargo de Lima, coordenadora do programa pré-natal da cidade, explica que os casos normais são acompanhados nas unidades de saúde municipais e no Hospital Municipal Nossa Senhora das Dores. Já os casos de alto risco são encaminhados para os hospitais Evangélico e de Clínicas, em Curitiba, mas continuam sendo monitorados no município.


