CRIANÇA DESAPARECIDA
Serviço de investigação no Paraná tem
reconhecimento de polícia internacional

O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), da Polícia Civil do Paraná, implantado em 1995 e pioneiro no Brasil, foi recomendado pela Polícia Criminal Internacional (Interpol) como modelo a ser adotado por outros países na prevenção e solução de casos de desaparecimento de crianças menores de 12 anos. O reconhecimento internacional do serviço é fruto dos resultados obtidos desde a sua criação. Do total de 439 ocorrências atendidas ao longo desses cinco anos, apenas duas não foram solucionadas e ainda estão sendo investigadas.
O número de crianças desaparecidas diminuiu de forma significativa no Estado. Em 1996 foi registrado o desaparecimento de 151 crianças. Em 1998 foram registrados 83 casos e, no ano passado, 74. Neste ano, de janeiro a agosto, ocorreram 37 desaparecimentos. Campanhas conscientizando os pais da importância de medidas preventivas e a ação imediata adotada cada vez que é feita uma notificação são os principais fatores dessa redução de casos, afirma o delegado Harry Carlos Herbert, titular do Sicride.
O acompanhamento e controle do andamento de cada caso e a comunicação imediata do registro de uma queixa de criança desaparecida a todas as sub-divisões policiais do Estado são fundamentais, segundo o superintendente do Serviço, Renato Ferreira de Souza, para uma rápida solução dos casos.
‘‘Não dá para deixar passar muito tempo porque a localização vai ficando cada vez mais difícil. Normalmente levamos de 24 a 48 horas, no máximo. Temos uma equipe de investigação em plantão permanente’’, acrescenta Souza. Este ano o Sicride solucionou dois casos de seqüestro, um de uma criança de quatro meses e o outro de uma criança de três anos.
Muitas vezes a polícia de outros estados é contatada, diz Souza. E quando é um caso internacional, o trabalho de investigação e busca é feito com a colaboração da Interpol. Mas os casos mais freqüentes são de crianças que fogem de casa. Nestes casos, a psicóloga do Serviço faz um levantamento da vida da criança e da família, para levantar os motivos da fuga. ‘‘Depois de conversar com os pais e a criança, nós os orientamos sobre como proceder para evitar novas fugas e ainda os encaminhamos ao Conselho Tutelar da região em que moram e a instituições de psicoterapia’’, diz a psícóloga Eliane Bernardelli.
O Sicride realiza campanhas preventivas em escolas, creches, praças e eventos que reúnem grande número de pais e crianças. Para descontrair e ganhar a simpatia das crianças, foi criado o boneco João Esperto, que distribui cartilhas e folhetos com dicas de como evitar seqüestros e desaparecimentos, conta o delegado Harry Carlos Herbert. O boneco e as cartilhas também têm sido recomendados pela Interpol às forças de segurança de outros países como medida de prevenção.
O delegado tem sido convidado freqüentemente pela Polícia Internacional para participar de reuniões de combate ao crime contra menores no exterior. Representantes de diversos países, entre eles Argentina e Chile, já vieram ao Brasil para conhecer o Sicride e buscar subsídios para criação de instituições similares. O mesmo ocorre com outros estados brasileiros, entre os quais São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e Bahia, que já solicitaram material sobre o trabalho desenvolvido no Paraná.

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