Serviço de apoio dá garantia de continuidade ao tratamento
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de outubro de 1997
Curitiba 
Cesar Brustolin/SMCSDomingas Marcolla, coordenadora do Naps, avalia com a família os pacientes em tratamento no programa hospital-diaCada paciente que conhece de perto as unidades hospitalares e serviços de apoio do Hospital Pinel guarda uma história diferente de contato com álcool ou drogas. Citadas aqui com nomes fictícios, essas pessoas passaram por processos de desintoxicação e hoje frequentam o Núcleo de Atenção Psicossocial (Naps).
É o caso do policial civil aposentado João Fontes, 46 anos. Dependente de álcool desde os 14 anos, ele conta que se afastou da família e perdeu oportunidades na vida por causa da bebida. Separou-se da mulher, vê pouco os filhos que moram em outro estado e interrompeu diversas vezes o curso de Direito.
Em Curitiba, onde vive sozinho, procurou o serviço de desintoxicação do Pinel. Superou a primeira etapa necessária para o controle da dependência, passou pelo hospital-dia e agora, com cinco meses de comparecimento diário ao Naps, prepara-se para ser apenas um paciente ambulatorial - a categoria de paciente que comparece ao hospital uma vez por semana para acompanhamento médico.
No entender de João, ele não teria chegado a esse estágio se contasse apenas com a alternativa tradicional da internação em tempo integral. Só a internação não chega: o tratamento tem que ter continuidade, resume.
Força de vontade - Atleta desde a juventude, o bombeiro Sérgio Oliveira, hoje com 45 anos, também teve problemas com a bebida. Foi um ultimato da mulher, que já havia sido casada com um alcoolista, que o despertou para a gravidade de uma situação que já durava dez anos. Ele procurou ajuda, ficou 63 dias internado e hoje frequenta o Naps.
Apesar do compromisso diário com o tratamento, Sérgio já concluiu o curso de almoxarife oferecido pelo programa Linha do Ofício da Fundação de Ação Social e ainda encontra tempo para fazer um outro curso - o de auxiliar de enfermagem, um antigo sonho que, segundo ele, tem muito a ver com sua profissão.
A trajetória de outros pacientes passa pelo envolvimento familiar na hora do tratamento. Foi a mãe de Sônia Maria, 19 anos, que a estimulou a procurar o Pinel. Aos 15 anos, Sônia trocou a vida de menina certinha de classe média pela de consumidora de álcool e maconha, e ficava dias seguidos sem voltar para casa.
Uma vez ela apareceu tão suja como se tivesse caído no esgoto. Eu não acreditava que aquela era a minha filha. Agora ela está indo bem, se interessando inclusive em comparecer às reuniões do AA (Alcoólicos Anônimos), conta a mãe.


