Para ajudar os municípios paranaenses no combate à dengue, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) desenvolve um trabalho de pesquisa sobre o cima no estado. Semanalmente a equipe que trabalha no Laboratório de Climatologia (Laboclima) se dedica ao Serviço de Alerta Climático da Dengue - SAC Dengue - publica um boletim de alerta para as regiões que devem ter clima favorável ao desenvolvimento do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. O trabalho ainda conta com a parceria do Simepar e da Secretaria de Estado de Saúde.
O grupo analisa a temperatura, umidade relativa, chuvas e ventos de 17 cidades do estado. São elas: Apucarana, Cambará, Cascavel, Curitiba, Cianorte, Francisco Beltrão, Foz do Iguaçu, Guaíra, Guarapuava, Guaratuba, Londrina, Maringá, Palotina, Paranavaí, Santa Helena, São Miguel do Iguaçu e Umuarama.
Segundo o professor da UFPR e idealizador do projeto, Francisco Mendonça, o trabalho da equipe mostra as condições climáticas que favorecem o mosquito da dengue. ''Escolhemos as cidades em função da disponibilidade dos dados meteorológicos repassados pelo Simepar. Como os dados abrangem a região de cada cidade, acabamos cobrindo o estado todo com as informações'', explicou.
O professor disse que o sistema tem sido usado pelos município e pelo Estado como auxiliar na prevenção à dengue. ''Na Secretaria Estadual de Saúde há um mapa em que eles atualizam semanalmente os dados divulgados por nós juntamente com o número de casos da dengue. Assim é possível avaliar o avanço da doença no estado'', destacou.
Mendonça afirmou que o projeto está cumprindo o objetivo que é informar as condições climáticas para que a secretaria possa atuar nas regiões que apresentam clima favorável à proliferação do mosquito.
Sul do Brasil
O professor disse que há vários anos participa de um grupo de pesquisa que analisa a situação da dengue no Brasil. A equipe de pesquisadores concluiu que no Sul do país a doença é sazonal e aparece de outubro a abril. ''Percebemos que é uma doença relacionada às condições de vida nas cidades. As populações urbanas do Sul do Brasil têm uma forma de vida que favorece os criadouros do mosquito'', explicou.
Conforme ele, o lixo é o grande vilão da dengue. ''O acúmulo de materiais recicláveis nos quintais em geral está associado a áreas de mais baixa renda na cidade'', destacou. ''As temperaturas intermitentes associadas ao acúmulo de lixo são considerados uma bomba de dengue'', disse Mendonça. O professor afirmou que o grupo de pesquisa está analisando o clima urbano e a mobilidade das pessoas. ''O mosquito não obedece fronteiras. Temos uma situação que chama atenção em Foz do Iguaçu. No lado brasileiro há um trabalho organizado para combater a doença, mas não sabemos que tipo de ação é desenvolvida do outro lado da fronteira'', explicou.
Serviço - Mais informações sobre o SAC Dengue no site www.laboclima.ufpr.br

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