Servente pode ter sido morta pela PM
Moradores e policiais militares viveram momentos de tensão durante uma manifestação na favela do bairro Parolin, em Curitiba, onde a servente Maria Aparecida de Paula Pereira, de 56 anos, acabou sendo morta com um tiro no rosto anteontem. O filho dela, Jonas Pereira, 26 anos, também foi baleado. O protesto começou por volta das 17h30 de terça-feira e terminou somente ontem à tarde. A Rua Brigadeiro Franco, que passa ao lado da favela, ficou interditada por quase 24 horas. Os manifestantes queimaram paus e pneus no meio da rua para impedir a passagem dos veículos.
Toda a confusão começou com um protesto dos moradores, que pediam mais segurança na Rua Brigadeiro Franco. Reclamando da alta velocidade dos veículos que trafegam naquela via, eles reivindicavam a volta de uma lombada, que foi retirada na sexta-feira pela prefeitura. Durante a manifestação, as equipes da Polícia Militar que chegaram para desinterditar a rua acabaram entrando em confronto com os moradores.
Os policiais alegam que foram apedrejados e tiveram que dar tiros para o alto, com o objetivo de dispersar a população. No meio da confusão um tiro atingiu a servente Maria Aparecida, que conforme declarações de testemunhas, estava chegando do trabalho e foi alvejada quando entrava em casa. Edson Pereira Rodrigues, 24 anos, sobrinho da vítima, afirma que o tiro que matou sua tia partiu da arma de um policial. Maria Aparecida foi enterrada ontem no Cemitério do Bonfim, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
De acordo com Edson Pereira, a manifestação era pacífica, até que houve a interferência da polícia. Ele acredita que foram disparados entre 20 e 25 tiros. Os policiais chegavam a ajoelhar-se para fazer mira, disse Pereira, entendendo que a PM estava atirando para matar.
Durante o tiroteito, que aconteceu por volta das 21 horas, o filho de Maria Aparecida, Jonas Pereira também foi ferido com um tiro, na parte lateral do abdômen. Ele foi atendido no Hospital Evangélico, e depois liberado. Jonas contou que depois que sua mãe foi atingida, ele correu até uma viatura da polícia para pedir socorro, quando foi recebido a tiros.
Edson Pereira acusa os policiais militares de omissão de socorro. Segundo Edson, sua tia poderia ter sido salva se tivesse recebido atendimento médico mais rápido. Ele disse que Maria Aparecida ficou por mais de dez minutos agonizando, até que um vizinho a levou para o Hospital Evangélico, onde morreu. Quando fui pedir ajuda ao policial, ele me deu um tapa na cara e disse que pobre tinha que morrer.
Lombada - Moradores da região onde aconteceu o protesto são unânimes em afirmar que aquele trecho da Rua Brigadeiro Franco é extremamente perigoso, do ponto de vista de segurança no trânsito. O comerciante Ezequias de Souza, 21 anos, disse que além do fluxo de veículos registrado no local, as características da via ainda permitem aos motoristas trafegar em alta velocidade.
O trecho da Brigadeiro Franco que passa pela favela do Parolin fica entre a avenida Presidente Kennedy e a BR-116, situação que faz da rua uma das mais movimentadas da periferia de Curitiba. Nas imediações existe uma escola, um laboratório da Saúde municipal e uma creche do Projeto Piá. No final da tarde de ontem, com o apoio da Polícia Militar, a prefeitura deu início a implantação da lombada reivindicada pelos moradores.





