Osmani Costa
De Londrina
O servente de pedreiro José Nilton Pereira de Souza, 36 anos, deu entrada na tarde de ontem com uma representação criminal na 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina contra o engenheiro civil Wagner de Paulo Barros, proprietário da construtora Conwak Engenharia, acusado de crime de rascismo. Segundo Souza, que estava acompanhado do advogado Jorge Custódio, o engenheiro o teria xingado de ‘‘negão vagabundo’’.
A agressão verbal teria ocorrido anteontem, quando José de Souza e outros dois ex-funcionários da construtora tentaram receber – na obra em que trabalharam durante 24 dias, no centro da cidade – alguns direitos que não teriam sido pagos pelo empresário. ‘‘Eles não estavam registrados, mas têm direito a receber proporcionalmente as férias, 13º salário, horas-extras, aviso-prévio e FGTS’’, comentou Jorge Custódio.
De acordo com os cálculos do advogado, que atua no caso a convite do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, cada um dos três operários demitidos tem direito a receber cerca de R$ 1.200,00. ‘‘Eles tentaram um acordo com o intermediário da contratação, o senhor Hélio Caetano Crocce, e se dispuseram a receber algo em torno de R$ 400,00. Mas a empresa não cumpriu o combinado’’, ressaltou o advogado.
A denúncia de rascismo foi registrada no Cartório Distribuidor da 10ª SDP e agora segue para um dos delegados para abertura de inquérito que apurará as circunstâncias da suposta agressão. ‘‘O que me deixou chateado foi que ele nem conversou com a gente. Já chegou falando alto que éramos folgados. Para mim, ele disse: vai trabalhar em outro lugar, negão vagabundo’’, acusou José de Souza.
O dono da Conwak, Wagner Barros, afirmou à Folha que a denúncia não tem qualquer fundamento. ‘‘Nunca houve isto. Nem sei quem é este cidadão; não o conheço e nunca tive contado com ele. Minha empresa é idônea, está no mercado há 20 anos e nunca teve nenhuma denúncia no Ministério do Trabalho’’, ressaltou o engenheiro. Ele explicou que os operários trabalham em suas obras contratados por outras empreiteiras, de maneira terceirizada e legal.

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