Os produtores rurais de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) estão apostando na diversificação dos cultivos como forma de sobreviver na agricultura. O resultado desse trabalho pode ser visto durante a 9 feira do produtor rural que ocorreu ontem no município, reunindo 30 produtores de frutas, hortaliças e peixes. Foi uma das atividades realizadas na semana do aniversário de 71 anos de Sertanópolis. A data de emancipação política do município é comemorada hoje.
''Com 75% da renda originária da agricultura, principalmente do cultivo da soja, do milho e do trigo, os agricultores do município estão sendo incentivados a buscar outros cultivos'', explica o prefeito Carlos Luis Oporto Castro. Segundo ele, o fato de a agricultura estar baseada em produtos suscetíveis ao clima faz com que problemas como a última seca tenham reflexos negativos na economia do município.
De acordo com dados da Emater de Sertanópolis, a última safra de soja teve quebra de 35%, em média. Entretanto alguns produtores chegaram a perder 60% da safra. Segundo o técnico da Emater, Édson Vendrame, a safrinha de milho também terá quebra porque a cultura passou por momentos de seca durante a colocação de bonecas.
Driblando as crises há 12 anos, o agricultor Luiz Carlos Barassaroto decidiu investir na plantação de hortaliças. Depois de ter trocado a plantação de café e a criação de porcos pelo cultivo de alface, beterraba, rúcula e salsa, ele avalia que as hortaliças já foram um negócio mais rentável. Mesmo reclamando do preço recebido pelos produtos, no caso da alface variando de R$ 0,60 a R$ 0,80 centavos por cabeça, ele afirma que são as verduras que irão garantir o sustento da família. '' Tenho 10 alqueires de soja, mas os rendimentos dessa área só vão pagar os custos. As verduras vão ser a salvação da lavoura neste ano'', analisa.
Aproveitando para ter lucro de uma atividade que considera um prazer, o piscicultor Etore Torezan investe em tilápias. Ele conta que engorda os peixes para serem revendidos a pesque-pagues do estado de São Paulo. Em três tanques ele possui 10 mil peixes. São tratados com ração balanceada até atingirem o peso médio de 600 gramas, em cinco meses. Na feira, a barraca de Torezan era uma das mais visitadas porque ''os peixes eram retirados vivos do tanque direto para a panela'', brinca.
Dedicado exclusivamente à produção de rapaduras, Luis Erceu Silveira menciona que ''produzir é fácil, o problema é vender''. Segundo ele, nos meses de verão o consumo do produto diminui trazendo dificuldades para o agricultor. '' Precisamos aproveitar para vender no inverno na época das festas juninas'', afirma.
Consumidor aprovaMelhor qualidade e preço mais baixo são as duas características dos produtos vendidos na feira do produtor que mais atraíram os consumidores. Acostumada a comprar verduras e frutas no supermercado, a costureira Belheonice Trevisan Carvalho comprou alface e poncan. ''O preço está bom e a qualidade dos produtos é bem melhor. Comprei um monte e gastei só 4 reais'', declara.
Oriovaldo e Francisca Vasconcelo também aproveitaram a chance de comprar diretamente dos produtores. Com cerca de 10 reais, o casal comprou mandioca, tomate, alface e repolho. ''Os produtos vão durar para a alimentação das cinco pessoas da família durante esta semana'', analisa Francisca.

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