Sertanópolis pede paz
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de janeiro de 2009
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Sertanópolis- Pedidos de paz e de aumento do efetivo policial do município vão movimentar Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) hoje à tarde. Comerciantes, moradores, lideranças de diferentes religiões vão se unir em frente ao prédio da Prefeitura, às 17 horas, para manifestar a insatisfação frente à violência que vem assolando a cidade há pelo menos sete anos e que culminou com um número alarmante de assassinatos no ano passado: 19 ao todo. O dado é bastante alarmante se comparado a municípios vizinhos e de mesmo porte, como Bela Vista do Paraíso e Primeiro de Maio, que registraram duas e uma morte, respectivamente, em 2008.
Todo o comércio da cidade vai baixar as portas e a população está convidada a participar de uma pequena passeata pelo Centro da cidade usando camisas brancas. A idéia de pedir paz e cobrar soluções para a criminalidade partiu da própria sociedade organizada, que assistiu, calada, a morte de um jovem de 15 anos no final do ano passado: a última vítima do tráfico de drogas na cidade.
O episódio que deflagrou a revolta dos cerca de 16 mil habitantes foi o assassinato de Caio Giuliangeli, há exato um mês. Filho de um empresário londrinense, Caio teria ido passar o fim de semana com a namorada, que mora em Sertanópolis, e depois de um desentendimento com dois adolescentes envolvidos
com tráfico, foi esfaqueado por um deles.
Caio foi morto por 13 golpes de faca numa rua movimentada, por volta da meia-noite. O autor das facadas, um adolescente de 16 anos, permanece preso na delegacia de Sertanópolis, onde aguarda transferência para um centro de reeducação em Londrina. Conforme Suedis Pelizaro Giuliangeli, mãe do jovem assassinado, o garoto tinha um temperamento forte, ''como todo adolescente'', mas sempre respeitou os limites impostos pelos pais. ''Ele nunca saia com muito dinheiro, tinha sempre o suficiente para um lanche, um refrigerante e um sorvete'', comentou a mãe, garantindo que o filho nunca foi usuário de drogas.
''Ele nasceu aqui, conhecia todo mundo. Não é justo uma vida ser interrompida dessa maneira em função de pessoas sem limites'', declarou a mãe de Caio, que em função do aumento da criminalidade, e pensando em dar melhores condições de estudos aos três filhos, mudou-se de Sertanópolis - onde viveu por mais de duas décadas num mesmo endereço - para Londrina, em março passado.
''Minha família foi destruída. Estou tentanto juntar os pedacinhos, mas ainda vejo meu filho em cada canto da casa, sinto a presença dele nos objetos dele, nas comidas que ele gostava'', desabafou Suedis, dizendo-se arrependida de não ter iniciado um movimento pela paz na cidade antes da tragédia familiar. ''Para mim não dá mais tempo, mas quero que a morte do Caio seja um marco para que outras famílias não sofram o que a minha sofreu.''
''Parece que só uma manifestação é capaz de chamar a atenção do governador e do secretário de segurança. E não vamos nos calar até que algo concreto seja feito pela cidade'', afirmou o vice-presidente da Associação Comercial e Empresarial de Sertanópolis, Eduardo Sanches Garcia Júnior. Segundo ele, população ''vive em casa trancada, com medo até de passear, tomar um lanche.''
A reportagem procurou a assessoria de imprensa da Secrtaria de Estado de Segurança Pública, mas não obteve resposta até o fechamento da edição.


