Sertanópolis está há 1 ano sem hospital
Alexandre Sanches
Enviado a Sertanópolis
A cidade de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) completa, dia 10, um ano sem hospital e com o setor de saúde funcionando precariamente. O motivo foi a interdição, ano passado, do prédio do Hospital Municipal São Lucas para reformas gerais com recursos do governo do Estado. Porém, das quatro parcelas (total de R$ 150 mil), a empreiteira contratada só recebeu duas, um valor aproximado de R$ 60 mil. Neste período, os casos que necessitam de cirurgia estão sendo encaminhados para cidades vizinhas.
Para piorar a situação, o Centro de Saúde que também está sendo reformado pela prefeitura é utilizado como posto de saúde, ambulatório médico e centro de triagem dos casos hospitalares para decidir se é necessário ou não transferência para outras cidades. Desde que o hospital inaugurado na década de 50 foi interditado, não foram feitos mais partos no município. As gestantes em trabalho de parto são transferidas para hospitais com vagas disponíveis, conforme indicação da Central de Leitos da 17ª Regional de Saúde, em Londrina.
O secretário municipal de Saúde, Antônio Roberto Marques de Souza, disse que a dificuldade maior do setor é em conseguir vagas em outros hospitais (ver texto ao lado). Não podemos fazer partos porque não temos estrutura em caso de complicações. Internação também não podemos fazer. Enfrentamos dificuldades com a Central de Leitos. Às vezes, ficamos um dia ou mais com o paciente por falta de leitos na região, comentou.
A empreiteira responsável pela obra do hospital está trabalhando, segundo Souza, em passos lentos. Ela está amarrando o andamento da obra com medo de concluí-la e não receber as demais parcelas atrasadas, ressaltou. Pela empreiteira, falta somente o acabamento interno como as luminárias e pintura. Do lado de fora, a prefeitura está concluindo o remodelamento da fachada com recursos próprios.
O Centro de Saúde, cujos recursos do Estado para a ampliação é a prefeitura quem administra, já está com 70% das obras prontas. O secretário informou que o convênio foi orçado em R$ 200 mil para a obra, liberados em quatro parcelas.
O prefeito Reinaldo Ramos Reis (sem partido) disse que o governo do Estado justifica não ter recursos para repassar ao município. Na sexta-feira passada ele esteve com o secretário de Saúde do município em Curitiba para conversar com a vice-governadora Emília Belinati. Ela se mostrou sensível ao problema e ficou de intermediar a liberação de recursos para reativar o nosso hospital, comentou Reis.
A preocupação do prefeito não é só com os casos de urgência e emergência na cidade, mas também com os acidentes constantes na PR-323, que corta o município. Temos confiança que o governador Jaime Lerner não vai nos decepcionar. Ele prometeu os recursos ainda este ano. Só que temos urgência na reativação do hospital, ressaltou.
Reis afirmou que o compromisso do Estado é concluir o hospital. Com a conclusão desta obra, o nosso hospital terá condições de ser ofertante de vagas para a região. Esta demora está sendo prejudicial para todos, justificou.
A chefe da 17ª Regional de Saúde, Dejanedis Maria Garrido, foi procurada ontem pela Folha, mas informaram que ela estava em Curitiba em reunião de trabalho na Secretaria de Estado da Saúde.Estabelecimento mantido pela prefeitura está em reformas e o Centro de Saúde, também em obras, funciona precariamente
Dorico da SilvaSITUAÇÃO DIFÍCILEmpreiteira responsável pela obra do hospital está trabalhando em passos lentos, segundo o secretário de Saúde Antônio Roberto de Souza (ao lado, à direita). Prefeito Reinaldo Ramos Reis (à esquerda) diz que governo alega não ter recursos





