Sertanópolis alerta contra escorpiões
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de novembro de 1998
Alexandre Sanches 
Os escorpiões que estão sendo encontrados em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), principalmente na área central, são os que possuem o veneno mais tóxico entre as mais de 1.500 espécies encontradas no mundo: o Tytus serrulatus. A informação é do sanitarista da 17ª Regional de Saúde em Londrina, Hélio Bonafini, que coordena os trabalhos de captura dos animais e localização dos ninhos.
Estes aracnídeos são comuns na região, mas nos últimos dois meses foram encontrados com mais frequência. Em um ano, duas pessoas foram picadas na cidade, assustando a população. O setor de Vigilância Sanitária de Sertanópolis mapeou a cidade e, em seis quarteirões do centro foram encontrados 32 pontos com escorpiões. Também foram localizados na Rua Sergipe, Jardins Casagrande, Aurora, Rafaeli e região do cemitério.
A proliferação dos escorpiões na cidade está relacionada à reforma de prédios velhos, com mais de 50 anos. Um antigo clube ao lado da prefeitura, transformado em Secretaria de Cultura, e o Hotel São Jorge, que está em reforma, foram considerados os principais focos. O fundo de muitas lojas e casas também são focos. Há necessidade de limpeza imediata, salientou Bonafini.
Técnicos municipais de saúde orientam os moradores a limpar os terrenos, acabando com focos de baratas e outros insetos, considerados alimentos dos escorpiões. Damos um prazo de 15 dias para que a limpeza seja feita, comentou o secretário de Saúde, Arnaldo Batista Januário.
O sanitarista Hélio Bonafini disse que outros municípios da região registram focos de escorpiões, mas sob controle. Ele cita Jaguapitã, onde foram encontrados alguns espécimes. As pessoas picadas devem procurar socorro imediatamente. O Hospital Universitário (HU) em Londrina é o único da região que tem o soro antiescorpiônico.
Bonafini acredita que, em Sertanópolis, os escorpiões estão se escondendo nas galerias de água pluvial, que são locais quentes, úmidos e que servem de abrigo para baratas. Muitos escorpiões foram vistos saindo de ralos de banheiros e de pias de cozinha. Ontem foram instaladas armadilhas para pegar escorpiões vivos que serão levados ao Instituto Butantã, em São Paulo (SP), para produzir o soro.
A espécie Tytus serrulatus é da cor amarela parda e se reproduz de setembro a abril. Sem visualizar imagens, o escorpião usa de habilidades sensoriais para detectar suas presas e se alimenta de baratas, pequenas aranhas e cupins. Entre os seus predadores estão a aranha caranguejeira, galinhas, corujas e sapos.
Ele pede às pessoas que não usem venenos para tentar matar o escorpião, orientando a recolhê-los com cuidado para serem entregues na Secretaria de Saúde. Ele alerta para que tomem cuidado com as picadas, que em alguns casos pode até matar a vítima. A dor é intensa e se irradia. Após minutos ou horas, pode gerar problemas gastrointestinais, circulatórios, disritmia cardíaca, edema pulmonar. O soro antiescorpiônico deve ser aplicado nas três primeiras horas, orientou.
COMO PREVENIR
- O escorpião é um animal venenoso, que tem um ferrão na ponta da cauda. Picam quando ameaçados.
- Abrigam-se em terrenos baldios com mato e lixo doméstico, embaixo de pedras, em pilhas de tijolos, telhas e montes de lenha.
- Nas casas, são encontrados em lugares escuros, úmidos, buracos e frestas de paredes, muros, rodapés soltos, assoalhos e forros de madeira.
- Para evitá-los, limpe o quintal ou jardim com frequência. Não acumule lixo ou entulhos para não atrair baratas e outros insetos que são alimentos dos escorpiões.
- Os predadores naturais dos escorpiões são sapos, corujas, siriemas, pássaros, galinhas, macacos e aranhas caranguejeiras.
- Examine roupas e calçados antes de usar. Verifique toalhas de banho e as roupas de cama. Evite andar descalço.
- Se encontrar um escorpião, não o mate. Coloque-o em um frasco de tampa furada, com algodão umedecido em água. Leve o frasco ao setor de saúde que vai enviar o aracnídeo ao Instituto Butantã para fabricação de soro.
- Em caso de picada, procure imediatamente um médico e, se possível, leve o animal para ser identificado.
Fonte: Divisão de Extensão Cultural do Instituto Butantã em São Paulo (SP)


