O ar rural que sopra nos campos de Sertaneja envolve também a cidade, onde vive 87,7% dos 5.817 mil habitantes. É tão pacata que só os moradores mais antigos se recordam de como o lugar era diferente até os anos 1970, quando em frente ao cinema da praça principal formavam-se filas de dobrar quarteirão.
Na mesma praça, hoje, a vida passa em câmera lenta. Lojista há três décadas, Edilene Rodrigues Sales diz que nunca viu movimento tão fraco. Fiéis, só os antigos clientes. ''Os jovens não compram aqui e faltam empregos para eles. Se viessem indústrias para cá seria uma bênção'', comenta a empresária, que tem irmãos e sobrinhos em Londrina e Francisco Beltrão.
A alteração na cidade acompanhou a transformação da paisagem rural, quando os cafezais e os pequenos sítios deram lugar às fazendas de grãos e cana. E a mudança refletiu na população: os quase sete mil de 1980 caíram para 6,5 mil em 2000. Nos últimos 10 anos a redução foi de 10,7% e deve manter a tendência porque a taxa de crescimento está em -1,14%.
Na Agência do Trabalhador, o gerente Nelson Domingos da Silva informa que a média é de apenas quatro vagas abertas por mês, exceto no período de safra. Sem oportunidades, famílias inteiras estão buscando indústrias do interior de São Paulo.
Numa das poucas fábricas de Sertaneja - uma camisaria -, a proprietária Conceição Pereira se ressente da falta de mão de obra. ''Parece que as pessoas não se adaptam ao trabalho'', observa a empresária, que se mudou de Jundiaí (SP) depois que a prefeitura lhe cedeu um prédio. Ela tem 30 postos abertos, dá treinamento, paga o piso e, mesmo assim, não consegue interessados. (L.A.)

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