SERTANEJA - Município conserva clima de tranqüilidade
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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Kalinka Amorim<br> Reportagem Local 
Sertaneja O cheiro de café coado, o aroma do pão assado, pessoas que se juntam para comer e conversar, amizade, união e muita disposição. Esse é o retrato da cidade de Sertaneja (63 km ao norte de Cornélio Procópio). Com pouco mais de cinco mil habitantes, tem como base econômica a agricultura, com o cultivo das culturas de soja, trigo e banana.
Desbravado por colonizadores japoneses, o município completa 56 anos de emancipação política no próximo domingo. Na época da colonização, a cidade era cercada de mata fechada e não possuía infra-estrutura. Para realizar as compras, os moradores precisavam andar horas e horas a pé, a cavalo ou de carroça até chegar em Cornélio Procópio. O trajeto durava quase dois dias, tudo era conseguido com muito sacrifício e aos poucos a cidade foi tomando forma. Apesar de ser criança na época, ainda lembro das histórias que meu avô contava, até para pegar água levavam dias, conta Mitiko Ota, 61, neta de colonizadores.
Ao passear pela cidade, o clima visto é de muita tranqüilidade. Crianças brincam nas ruas. Nas praças é possível ver os cumpadi sentados trocando dedos de prosa enquanto a música que anima a Feira da Lua toca na caixa de som.
A cidade ganhou recentemente a primeira fase do concurso Geração de Renda, que incentiva o desenvolvimento de idéias que agregam benefícios à população carente, com a transformação de matéria-prima local. No caso de Sertaneja, a soja e a banana. O prêmio, no valor de R$ 30 mil, foi aplicado na implantação de uma cozinha industrial. O Cozinha da Gente foi instalado no Centro Cultural Gerson Gerdulli, é coordenado pela Secretaria de Assistência Social e atende pessoas que possuem como fonte de renda a venda de produtos alimentícios.
Feira da Lua
As colônias japonesas que circundam a cidade produzem alimentos que são comercializados na Feira da Lua evento mensal que movimenta a economia da cidade.
Marilene Francisca da Fé Andrade é a responsável pela implantação da feira. Ela veio de São Paulo para a cidade depois da aposentadoria do marido e confecciona bijuterias. Estou satisfeita com meu trabalho, consigo ter uma renda de R$ 500 com a venda dos produtos. Quando vim para cá, Sertaneja não tinha a feira. Comecei a ir nas cidades vizinhas e depois fiz um movimento com outros moradores e com o apoio do prefeito conseguimos implantar o projeto, explica Marilene.
Um outro diferencial do município é a produção própria da merenda escolar. São produzidos e distribuídos semanalmente para a rede municipal e estadual de ensino 8,6 mil pães e 8,6 sojinhas alimento aromatizado à base de grãos de soja, acondicionados em embalagens de 180ml produzidos com soja doada pelos agricultores locais, que divertem e alimentam a criançada.


