De acordo com o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e doutor em hidrogeologia André Celligoi, é preciso fazer a distinção entre um buraco e um poço. Segundo ele, é obrigação da empresa perfuradora avaliar a produção máxima, orientar sobre a rede de alimentação, adutoras, reservatório e automação, além de manter serviços de assistência permanente e assumir riscos decorrentes.
Conforme Celligoi, a maioria dos poços artesianos de Londrina, Cornélio Procópio, Assaí e outras cidades da região é abastecida por um único e grande aquífero, o Serra Geral, que pode ser encontrado entre 20 e 850 metros de profundidade. Para chegar até o Serra Geral, é preciso passar por três camadas de solo: a primeira de argila, a segunda de rocha ainda em decomposição – chamada de semi-alterado – e a terceira de rochas vulcânicas basálticas, impermeáveis, chamadas de rochas sãs. A vazão média dos poços da região é 17,7 metros cúbicos de água por hora.
Segundo o geólogo, a maioria dos poços é produtiva na zona urbana de Londrina, com exceção de alguns setores ‘‘complicados’’. ‘‘O topo da Avenida Higienópolis, por exemplo, é uma zona difícil.’’ Ele explica que ali é área de ‘‘recarga’’ do aquífero, através das águas pluviais. ‘‘Acontece, porém, que aquela zona foi totalmente impermeabilizada pelo asfalto e concreto’’, esclarece.
Celligoi recomenda que, antes de perfurar um poço, sejam feitos estudos hidrogeológicos (com análise de interpretação de fotos aéreas, mapas geológicos e estudos de campo e estrutural) que visam buscar áreas mais favoráveis para sua instalação. ‘‘A geologia não é exata mas, levando em consideração todos os dados, é mais provável acertar que errar’’, diz.
Segundo Celligoi, é possível encontrar lençóis freáticos nas camadas anteriores à da rocha sã, mas sua utilização não é recomendada. ‘‘Na zona urbana, principalmente, estes lençóis estão todos contaminados. Nem aflorações de água, tipo mina, devem ser aproveitadas’’, alerta. E são estes lençóis superficiais que podem acabar contaminando o poço mais profundo. ‘‘Se o revestimento não for muito bem-feito, as águas superficiais se infiltram’’, explica. (T.E.)

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