Série mostrou muitos problemas e encontrou alguns bons exemplos
Osmani Costa
De Londrina
Iniciada em 10 de agosto, a série especial de reportagens que termina hoje fez um completo raio X da principal riqueza natural que Londrina possui no perímetro urbano: seus 81 fundos de vale, cortados por oito ribeirões, dois arroios e 71 córregos. Espalhados por todas as regiões da cidade, em cinco grandes bacias hidrográficas, infelizmente os fundos de vale não têm recebido de parte da população e dos órgãos públicos a necessária atenção. Eles sofrem com o fim da mata ciliar, com a poluição industrial, com as ligações clandestinas de esgoto sanitário doméstico, com a invasão pelos sem teto, com o aterramento das margens e o assoreamento dos cursos de água.
Reportagens publicadas no caderno Folha Londrina a partir do dia 10 de agosto, nas edições das terças e quartas-feiras, servem de alerta: os fundos de vale cortados por córregos, ribeirões e arroios urbanos pedem a atenção da sociedade
Nas 10 reportagens publicadas ouvimos biológos, geólogos, engenheiros, arquitetos, geógrafos e outros profissionais ligados ao meio ambiente. Eles falaram de projetos e apontaram caminhos viáveis para a solução dos problemas existentes. Conversamos com dezenas de moradores dos bairros vizinhos aos fundos de vales, que fizeram reclamações sobre o abandono das áreas e reivindicaram investimentos, melhorias e fiscalização mais rigorosa.
Encontramos também alguns bons exemplos vindos da população. São empresários e pessoas comuns que por conta e risco próprios gastam tempo, energia e dinheiro no plantio de árvores, em mutirões de limpeza, na denúncia de irregularidades, em ações de preservação e na fiscalização dos fundos de vales próximos às suas empresas e casas. E, assim como os problemas, estes exemplos de respeito e preocupação com o meio ambiente estão presentes em várias regiões da cidade.
Descobrimos ainda muitos pesquisadores notadamente da Universidade Estadual de Londrina (UEL) com trabalhos sérios destinados a projetos de recuperação, manutenção e uso racional destas áreas tidas, legalmente, como de preservação permanente. Dos 81 fundos de vale, apenas 12 estão abertos à visitação; e um número ainda menor conta com equipamentos destinados ao lazer e prática de esportes pelos usuários.
Isso ocorre, basicamente, no vale formado pelo Ribeirão Cambé o principal da cidade, na área central e alguns de seus afluentes. Nele, estão os quatro lagos Igapó, o Zerão, o Parque Arthur Thomas, e os córregos do Rubi e Água Fresca. Atualmente há um único projeto de urbanização em obras, o do Córrego da Roseira, para a formação da Lagoa Dourada, na zona sul. É muito pouco. Outros importantes projetos desenvolvidos pela Autarquia Municipal do Ambiente (AMA) e pelo Instituto de Pesquisas e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) não sairam do papel.
A série de reportagens confirmou ainda, pela falta de melhores resultados, que falta um maior entrosamento para o trabalho conjunto entre os vários órgãos que atuam em setores diretamente ligados à área ambiental na cidade: AMA, Ippul, Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), UEL, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Sanepar, Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Ibama), além de algumas secretarias municipais, como as de Obras e Saúde. Enfim, o saldo não é bom. Os problemas são grandes e numerosos. Há estudos e propostas para solução, mas os investimentos são pequenos e as obras de recuperação e manutenção quase inexistem. A fiscalização é falha e a punição aos poluidores e depredadores não é rigorosa.





