Sercomtel terceiriza serviço e 122 é reajustado em 384%
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terça-feira, 19 de agosto de 1997
Lúcio Horta 
Londrina
Os usuários da Sercomtel que costumam utilizar o serviço 122 - sobre números de telefone que constam na lista da Editel - começaram o mês de agosto com um grande susto: a tarifa subiu de R$ 0,13 centavos para R$ 0,50, aumento que corresponde a 384,6%. Desde a zero hora do dia primeiro, quem discou os três dígitos do serviço recebeu uma mensagem da empresa informando o novo valor, que já vai ser cobrado na próxima fatura. O reajuste vem somar a outros que passaram a ser praticados no último mês, como por exemplo os 270% de aumento na assinatura básica (que passou dos R$ 3,73 para R$ 13,82) e os 60% no valor do impulso local.
Os reajustes anteriores foram definidos pelo Ministério das Comunicações e fazem parte de uma readequação do setor para as privatizações. Mas no caso do 122, o aumento foi determinado mesmo pela Sercomtel. Segundo Walter Campanelli, diretor de marketing e serviços da empresa, o que houve na verdade foi um realinhamento dos preços, já que o serviço era deficitário. Ou seja: a operacionalização do serviço ficava mais cara do que a receita gerada.
Campanelli afirmou que, quando o serviço passou a ser oferecido em Londrina, a partir de 1992, não foi feita uma avaliação mais criteriosa sobre os custos de operação - estudo que agora sugeriu o reajuste. Ele explicou que foi levado em conta, para decidir pelo aumento, o fato de o serviço não ser essencial e objetiva apenas o conforto do usuário. Isso porque os números consultados no 122 constam na lista; já os números de telefones novos ou que foram mudados são oferecidos gratuitamente através do serviço 102.
O diretor de marketing e serviços da Sercomtel garante que o aumento não vale para quem utiliza telefones públicos ou celulares, que estão isentos da tarifa. E ainda temos algumas situações especiais, como por exemplo quem tem deficiência visual e não pode utilizar a lista telefônica. Neste caso, ele também é isento da tarifa. Só cobramos em situações em que o cliente opta pelo conforto, aponta Campanelli.
Apesar do aumento, a Folha apurou que o mesmo serviço tem preço maior em outros estados e mesmo dentro do Paraná. Em São Paulo, por exemplo, a Telesp cobra R$ 0,80 por informação. Já no Rio de Janeiro, o preço praticado pela Telerj é um pouco mais barato: R$ 0,79. Mas o usuário londrinense levaria um susto se mudasse para Curitiba e quisesse utilizar o mesmo serviço oferecido pela Telepar: ele pagaria nada menos que R$ 1,52 por informação prestada.
Todo o serviço de informação oferecido pela Sercomtel ao usuário - sobretudo o 122 e o 102 - foi tercerizado a partir de março do ano passado e é feito pela Ascent Serviços Empresariais S/C Ltda, de Londrina. Campanelli não quis divulgar o valor do contrato - são números internos da empresa - mas afirmou que a partir da tercerização houve uma redução de custos em torno de 30% em favor da Sercomtel.
Além da redução de custos, diz Campanelli, motivaram a mudança a própria expansão do mercado em Londrina, aumentando assim a carga de serviços, e a necessidade de utilização da mão-de-obra em outros setores.
Apesar de tercerizado, os cerca de 80 telefonistas da Ascent que prestam atendimento ao usuário trabalham dentro da Sercomtel, que fornece - além do espaço físico - mobiliário e equipamentos necessários. Essa condição, afirma Campanelli, já estava prevista no próprio edital de licitação publicado na época. Segundo ele, diversas empresas participaram da concorrência.


