Sercomtel registra R$ 1,2 milhão em furtos
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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

O prejuízo da Sercomtel em 2018 com furtos de cabos de telefonia foi 145% maior do que em 2017, passando de R$ 488,8 mil para R$ 1,2 milhão. Consequentemente, o número de casos também apresentou grande crescimento, subindo de 247 para 437 no ano passado. Em 2019 já foram 15 registros nos primeiro oito dias do ano, com gasto de R$ 95 mil. Além das perdas para a empresa londrinense, os clientes sofrem com os constantes transtornos gerados pela falta de serviços.
O operador de áudio Gilmar Santos perdeu as contas de quantas vezes o bairro ficou sem telefone e internet em consequência de cabos furtados nos últimos meses. Morador do jardim Montecatini, zona leste de Londrina, ele conta que as violações já chegaram a três na mesma semana. "Teve ocasião de arrumarem às 15h e a noite furtarem novamente. Não temos paz. Estamos do lado da BR-369 e na rodovia é onde mais furtam. Já ligamos, reclamamos. Não tem o que fazer" lamenta. "Também trabalho em casa e necessito de internet. O serviço está deixando a desejar", considera.
Segundo Luis Carlos Bianco, gerente de Implantação e Manutenção da Sercomtel Telecomunicações, os cabos telefônicos são atrativo para criminosos por serem feitos a partir do cobre. "O cobre é material que no mercado é caro. Esses indivíduos furtam estes cabos para venderem em ferro-velho, o que é proibido, pois existe legislação específica. Quando vendemos sucata, por exemplo, abrimos processo licitatório para a empresa fazer a compra de forma legal", adverte. O serviço de internet é transmitido no mesmo cabo da telefonia.
INCIDÊNCIA
Bianco reconhece que os casos têm aumentado de forma expressiva e com problemas cada vez maiores. "Como a operadora atende todo o território de Londrina e Tamarana, além da região, é um prejuízo muito grande para a população. São serviços essenciais que ficam sem comunicação. Isto não acontece somente com a Sercomtel, mas com outras operadoras também. A demanda maior é nossa por sermos local e pública. É uma situação sistemática e que chegou a afetar o serviço de delegacia de polícia", ponderou.
Na lista de bairros londrinenses "campeões" de registros de furtos de cabos de telefonia da empresa estão o jardim Waldemar Hauer, com 50, seguido da Vila Izabel (47), imediações do jardim Santa Mônica (45), Vila Casoni (43) e Jardim Palmares (35). A empresária Sonia do Nascimento sabe bem a dificuldade gerada por estes números negativos. Proprietária de uma casa de carnes na avenida das Maritacas, nas proximidades do Waldemar Hauer, ela cancelou o plano da operadora por conta dos incontáveis furtos. "Ficava sem telefone e internet e não conseguíamos passar o cartão de crédito. Estava prejudicando as vendas. A opção foi fazer portabilidade para outra. Agora isso acabou", desaprova.
ILUMINAÇÃO
Em relação à Sercomtel Iluminação os prejuízos são bem menores. Em 2018 foram 15 casos de furtos de cabos de iluminação, gerando perda de R$ 45,9 mil. "A iluminação tem a rede ativa de energia e fica acima da nossa rede. Os cabos de telefonia são aéreos, nos postes. Quem furta ainda corre risco de acidente de vida, porque se expõe e está próximo das redes de energia. Nosso pessoal é treinado para mexer com isso, inclusive recebe adicional por periculosidade", aponta Bianco.
FORÇAS DE SEGURANÇA
Com violações em dias e horários diversos, o gerente de Implantação e Manutenção da Sercomtel Telecomunicações afirma que a empresa tem mantido contato com as forças de segurança da cidade, assim como com o MP (Ministério Público), com o objetivo de encontrar os receptadores do material levado. "Em todos os casos registramos B.O. (Boletim de Ocorrência), mesmo quando é em sequência num local só. Fizemos reuniões no ano passado com as forças de segurança e elas estão levantando informações para programar diligências."
Quando os cabos são cortados por criminosos, na maioria das ocasiões é necessário trocar até 40 metros de fio, dependendo da conjuntura. Este material que acaba sendo retirado para possibilitar o reparo é levado para o pátio de operações da telefonia londrinense.
Entre as medidas elencadas para evitar as ocorrências estão o projeto de opticalização (fibra óptica) da rede e a substituição de locais mais expostos. "A operadora não tem capacidade para ficar fazendo reparos no tempo hábil. Contamos com o auxílio da comunidade, denunciando para a polícia. Muitas vezes o suspeito está dentro da própria comunidade. Estes prejuízos prejudicam os investimentos que temos para executar e dar mais qualidade aos clientes", destaca Bianco.



