Ser voluntário exige comprometimento
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segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Realizar trabalhos voluntários requer mais do que a simples vontade de ajudar. Para a coordenadora da Organização de Planejamento em Impulso Social (Opis), Ana Carolina Zavataro do Nascimento, a principal qualidade necessária aos voluntários é o comprometimento. ''Quando a pessoa não cumpre a função para a qual se propõe, gera frustração. Essa é a grande dificuldade das instituições'', comentou.
Para trazer consenso à relação nem sempre tranquila entre voluntários e entidades, a Opis realiza, a cada três meses, treinamentos para os dois públicos. Responsável por uma organização não governamental (ONG) que assessora outras ONGs na elaboração de projetos, promoção do voluntariado e na parte burocrática, Ana Carolina afirma que muitas entidades também não estão preparadas para receber ajuda voluntária.
Uma das dificuldades é a resistência dos funcionários. ''Eles temem ser substituídos por voluntários não remunerados, apesar de não haver concorrência entre as duas atividades'', disse. Com a sensação de não ter sido bem recebido, o interessado em prestar serviços acaba desistindo.
O advogado e coronel aposentado da Polícia Militar (PM), Ubirajara da Cunha, procura, há quase dois anos, uma entidade que necessite de auxílio voluntário na área administrativa. Vindo de Ourinhos (SP), de onde se mudou no início do ano passado, ele acumula vasta experiência em secretariado de entidades sociais. ''Cheguei a ser delegado, por São Paulo, na Terceira Conferência Nacional de Assitência Social'', exemplificou.
Sem necessidade de trabalhar para garantir o sustento, ele e a esposa (que é contadora) buscam uma instituição que precise de alguém especializado em organização da burocracia. Apesar de ter participado do treinamento da Opis, Cunha conta que, até agora, não recebeu qualquer proposta. ''Não senti receptividade por parte das entidades'', disse.
A coordenadora da Associação Solidariedade Sempre (ASS), Simone Machado Chimentão, conhece o outro lado da relação entre ONGs e voluntários. A entidade atende 11 crianças do Jardim Santa Fé (Zona Leste) com aulas de música, artesanato, moral e cívica, português, matemática e evangelização. Os alunos ficam na associação por quatro anos.
Por causa da dificuldade em arrumar professores voluntários, a ASS contratou, recentemente, três profissionais. A solução resolveu o problema das aulas, mas não sanou todas as necessidades. ''Procuramos voluntários nas áreas de psicologia, fonoaudiologia e assistência social'', comentou.
Segundo ela, os profissionais voluntários costumam atuar na associação por algum tempo, mas abandonam a função quando arrumam emprego ou se enquadram em outras ocupações. ''Isso é muito ruim, porque as crianças são carentes e se afeiçoam. Quando a pessoa para de vir, quebra-se o vínculo'', disse.


