Ser síndico não é para qualquer um
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
É como administrar uma pequena comunidade, onde moram pessoas muito diferentes e os problemas surgem a todo momento. Mesmo assim, tem quem se identifique com a aparente espinhosa função de síndico. Hoje o dia é dedicado a este profissional, e a FOLHA ouviu um dos mais antigos de Londrina e o mais jovem deles. Em comum, ambos demonstram a visão administrativa necessária à função e um jogo de cintura pouco comum.
Mas não é só, dizem eles. ''É preciso ser honesto, ter responsabilidade, paciência e boa-vontade'', ensina o bancário aposentado Ubirajara Alexandrino, 67 anos, que administra as 100 unidades residenciais e comerciais do Edifício Tókio (Área Central) há 18 anos. Na década anterior ele já havia sido vice-síndico, por isso participa diretamente da administração do antigo edifício há exatos 28 anos. Tanta experiência lhe dá uma certeza: ''Não dá para levar tudo a ferro e fogo, senão a gente só cria inimigos e morre de tanto estresse''.
Para Alexandrino, portanto, o segredo para se manter tanto tempo no cargo é encontrar o equilíbrio. ''Não dá para ser muito exigente e nem largar mão.'' Parece fácil, mas não é. Ele explica que o Tókio - localizado na Rua Sergipe, bem no coração de Londrina - abriga moradores de todas as idades, o que torna a função ainda mais desafiadora. ''Aqui moram universitários, casais jovens e idosos, e a gente tem que saber como lidar com todos. Procuro manter o bom relacionamento sempre'', diz.
Comparando o edifício ao corpo humano, o síndico ensina que os cuidados devem ser constantes. ''Se a gente abandonar, começa a se deteriorar.'' Por isso, defende que os síndicos sejam pessoas disponíveis. ''Se for para ser síndico de final de semana, ou daqueles que assumem a função só no papel, não adianta. Acho até que os mais indicados são mesmo os aposentados, porque têm mais tempo livre e são pessoas mais experientes.''
Em pelo menos um prédio da cidade, porém, o síndico foge a esta característica apregoada por Alexandrino e a vida em comunidade dos moradores de 60 apartamentos parece estar indo bem. Bruno Valverde Chahaira é um estudante de direito de 21 anos que, ao se mudar para o Village Chamonix, na Rua Espírito Santo (Centro), resolveu arregaçar as mangas.
Mesmo sendo locador, Chahaira se candidatou ao cargo, munido de uma procuração do proprietário do imóvel. Depois de uma acirrada disputa, em maio do ano passado, pôde enfim colocar à prova sua experiência de alguns meses no curso de administração e de participação no centro acadêmico da universidade. ''Implantamos uma auditoria e estamos conseguindo colocar a casa em ordem'', garante.
O jovem síndico também resolveu ampliar o sistema de segurança e reduzir os custos com funcionários; implantou um sistema de cotação de preços; tornou transparente a prestação de contas e se mantém o tempo todo acessível. ''Dá trabalho, mas está valendo a pena, inclusive como uma experiência que vou levar para vida pessoal e profissional. O meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) vai ser nesta área'', informa.


