A psicóloga clínica Iara Monteiro de Castro lembra que o casamento representa a possibilidade de viver uma intimidade que dificilmente se vive em outro relacionamento. É na relação amorosa que se encontra um tipo de convivência que antes só havia sido vivida com os pais, na infância. ''Na relação amorosa há um compartilhar de alegrias, problemas e de tudo que faz parte do nosso dia a dia. O ser humano precisa deste tipo de intimidade.''
Para a psicóloga, a explicação para a taxa de casamentos ter atingido o maior índice nos últimos dez anos (de acordo com o estudo Síntese de Indicadores Sociais 2010) pode estar no glamour que se imprimiu à cerimônia. ''O casamento, para muitos, é visto mais como o ritual, aquele dia em que os noivos tornam-se o centro das atenções, do que a vida a dois'', ressalta Iara, lembrando que é comum as pessoas não se prepararem para a rotina pós-lua de mel.
Estudos realizados nos Estados Unidos mostram que os dez primeiros anos de casamento são os mais difíceis, acima de tudo quando há filhos pequenos, pois além do desafio de aprender a trabalhar as diferenças, existem as demandas e tarefas relacionadas à criação e à educação das crianças, tornando tudo muito trabalhoso e dispendioso. ''Hoje é comum os dois trabalharem fora, ficarem estressados, e daí começa a faltar justamente a intimidade. É quando a relação vai ficando empobrecida'', alerta.
Ela observa que o casamento é uma relação de escolha, uma relação contratual, por isso é também frágil, passível de ruptura. Mas como as pessoas não têm noção desta fragilidade, não cuidam do casamento como deveriam. E muitos casais, diante do alto nível de estresse, optam pelo rompimento. ''O divórcio é uma saída muito dolorosa, mas não dá para julgar como certa ou errada. O ganho que o casal tem quando consegue trabalhar a relação e manter o casamento é muito grande. Mas há casos em que a incompatibilidade é determinante, ou que fatores como a infidelidade inviabilizam o casamento.''
Iara lembra uma teoria de Jorge Maldonado (autor do livro Crises e Perdas na Família), segundo a qual o casamento tem três fases: a fase infantil, a fase adolescente e a fase adulta. Segundo o autor, as rupturas aconteceriam nas transições dessas fases.
A psicóloga explica que a primeira fase vivida pelo casal é a infantil, quando um cuida e protege o outro, quando há muito mimo e romantismo, permeados pela sedução; na sequência vem a fase adolescente, que é a mais difícil, porque acontecem as disputas e as brigas tornam-se mais frequentes. Mais tarde, quando ambos conseguem superar as diferenças e já não competem entre si, vem a fase madura. ''Pode-se dizer que após dez anos o casal está entrando em uma fase de mais tolerância, compaixão, acolhimento, aceitação das diferenças. Por isso trata-se de uma fase mais estável'', constata Iara.

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