Um golpe chamado pela polícia de sequestro virtual, usado de forma pioneira pelo crime organizado dos grande centros, desembarcou de vez em cidades de médio porte. Em Londrina, uma cabeleireira estava no banco sacando o dinheiro do resgate quando foi avisada do golpe. Em Guarapuava, o bandido se identificou como agente da Polícia Rodoviária Federal para arrancar dinheiro da vítima. Empresários e comerciantes são os principais alvos de quadrilhas especializadas, mas qualquer pessoa corre riscos.
A nova estratégia utiliza um telefone celular para extorquir as vítimas, sempre com ameaças de morte e violência. Foi o que aconteceu com a cabeleireira A.K.Y., de 49 anos. No final do mês passado ela recebeu um telefonema no final do expediente. ''Parecia um policial falando num rádio amador. Ele disse que tinha acontecido um acidente com vários carros e que tinha achado o telefone da minha casa. Depois, perguntou se eu tinha algum filho ou marido fora de casa'', contou.
O filho de A.K.Y., um estudante de Direito, tinha acabado de sair de casa para fazer uma prova. A tia tentou ligar no celular dele, mas não obteve resposta. ''Tocou duas vezes e caiu na caixa postal. Foi então que bateu o desespero''. A voz no telefone, que parecia de um policial, ganhou uma tonalidade sombria e intimidatória. ''Ele disse que tinha sequestrado o filho de um empresário e que meu filho estava junto'', recordou. Para evitar rastreamento, o suposto sequestrador exigiu que a negociação fosse feita via telefone celular. O pedido de resgate foi de R$ 20 mil. O dinheiro deveria ser depositado numa conta fora da cidade.
A cabeleireira só descobriu o golpe dentro do banco. Após 40 minutos de angústia e apreensão, a tia conseguiu falar com o estudante, que tinha desligado o aparelho por causa da prova. A cabeleireira se lembra bem das ameaças. ''Ele ameaçava a todo momento. Se não pagasse o resgate, meu filho iria morrer, morrer e morrer''.
De acordo com o delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial, Antonio do Carmo, a polícia registrou quatro casos parecidos desde o início de novembro nenhuma das vítimas chegou a fazer a transferência. As quadrilhas, segundo ele, estão instaladas nas grande cidades, como São Paulo e e Rio de Janeiro, mas não restringem sua área de abrangência. ''Não acredito que esse tipo de crime tenha origem aqui na cidade. Os bandidos têm medo de ser rastreados'', argumentou.
Outra tática utilizada por essas quadrilhas é simular contatos de empresas de telefonia. Um funcionário falso alega que o aparelho está com defeito e que precisa passar por manutenção. O usuário é obrigado a digitar códigos, facilitando o processo de clonagem, ou desligar o aparelho. ''É nessa hora que eles costumam agir, pedindo resgate por uma pessoa que nem está em cativeiro. São estelionatários virtuais que atuam de várias formas. O cidadão precisa estar atento. Bancos ou empresas de telefonia não fazem atualização de cadastro dessa forma e nem pedem pra digitar sequência de números'', explicou o delegado.
Em alguns casos, comerciantes e empresários são escolhidos aleatoriamente pelas páginas amarelas da lista telefônica. Na maioria das vezes, as ameaças são direcionadas a adolescentes e crianças. A orientação, de acordo com o delegado Antonio do Carmo, é procurar imediatamente a polícia Militar ou Civil. ''Nesses casos, o policial saberá o que fazer. Se isolar não é a melhor opção.''

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