Toda forma de violência contra uma pessoa, em si, é cruel. Mas existe uma modalidade em especial que a crueldade chega ao extremo: o crime de sequestro. Mesmo existindo medidas de segurança importantes de serem observadas, quem domina o tema aponta que não há como se prevenir completamente. A experiência que garantiu ao Grupo Tigre resolver 100% dos casos de sequestros registrados no Paraná nos últimos 15 anos também ensinou que não há ação de prevenção eficiente o suficiente para inibir um sequestrador de consumar sua decisão.
O último caso de sequestro registrado no Paraná foi o do piloto de helicóptero José Melo Viana, levado por integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O grupo queria usar o piloto para libertar um preso integrante da quadrilha no Complexo Peninteciário de Mirandópolis (SP). Os bandidos também sequestraram parte da família de Viana para obrigá-lo a realizar o resgate. Porém, antes de consumarem o plano, eles foram presos pelo Grupo Tigre e a família foi libertada.
O coordenador do Grupo Tigre, delegado Riad Farhat, relata que as quadrilhas de sequestradores costumam estudar muito bem a vítima antes de agir: traçam roteiros de ida e volta do trabalho, os horários de chegada e saída de casa, o veículo utilizado, a rotina de funcionários. O piloto paranaense, por exemplo, foi monitorado por alguns meses. ''Pessoalmente, acho que a prevenção (do sequestro) é bem difícil e não há muito o que fazer'', comenta o delegado.
Farhat argumenta que blindagem de carros, cursos de direção defensiva, mudanças de itinerário, instalação de portões-eletrônicos são cuidados importantes que devem ser tomados mas admite que esses dispositivos não dão garantia total contra sequestros. ''Para chegar em casa tem o portão que demora pelo menos uns 30 segundos para abrir (o que dá tempo para o sequestrador)'', exemplifica. Nem a blindagem que é cara e para poucos consegue ser 100% eficiente. ''Uma hora, a pessoa terá que abrir a porta e descer do carro'', aponta.
Em relação aos casos de sequestros-relâmpago (tipificado como roubo qualificado), Farhat acredita que a prevenção pode ser fundamental. Pequenos cuidados como andar com os vidros fechados e bolsas longe da visão de quem passa pela rua podem desestimular a ação do marginal. Usar caixas-eletrônicos à noite é outra prática que deve ser abolida nas grandes cidades. Para quem acha que está livre desse tipo de violência, o coordenador do Grupo Tigre avisa: ''esse é o crime do momento e é onde tem mais marginal atuando''.
Ao contrário dos casos de sequestro ocorridos no Paraná, que foram todos resolvidos, os sequestros-relâmpagos são mais difíceis de serem combatidos pela polícia. A dificuldade está em chegar ao autor do crime com a ocorrência ainda em andamento. ''Na grande maioria (dos casos), a polícia toma ciência só depois'', observa Farhat.
Em Londrina, por exemplo, a Polícia Civil só conseguiu prender um assaltante depois dele ter realizado pelo menos 10 sequestros-relâmpagos no Centro. Além de investigação, o delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Manoel Pelisson, contou com denúncias anônimas para prender Wagner Ferreira de Araújo, 24 anos. As vítimas eram abordadas em semáforos ou quando saíam ou entravam em veículos, eram obrigadas a seguirem até caixas-eletrônicos onde faziam saques e ainda eram obrigadas a deixá-lo próximo ao Parque Ouro Branco (Zona Sul).

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