Sequestro de ônibus da empresa Ouro Branco intriga a polícia
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Paulo Ubiratan 
Londrina
A polícia continuava, até o final da tarde de ontem, sem pistas do homem que roubou um ônibus da empresa Ouro Branco na tarde de terça-feira. O ladrão teria se identificado como Roberto Fabrício Xavier no momento de alugar o ônibus que, segundo ele, seria usado para transportar 45 idosos de Cambé para uma reunião de convivência em Campo Mourão.
Os policiais envolvidos na investigação estão intrigados com a forma de agir do sequestrador. Ele locou o ônibus e pagou R$ 300 como parte do contrato, ficando de acertar o restante - R$ 250,00 - quando chegasse em Campo Mourão. Ainda em Cambé, rendeu o motorista do ônibus, Ademir Cândido dos Santos, o qual deixou acorrentado numa árvore na região de Rolândia.
Da região de Campo Mourão, o ladrão passou a telefonar a cobrar para a empresa pedindo resgate de R$ 35 mil para libertar o motorista.
A pessoa (Xavier) fez tudo direitinho, inclusive pagou uma parte do arrendamento do veículo. Não consigo entender o porquê de sequestrar o motorista. Deveria haver outra coisa atrás disto que não deu certo, questionou o delegado de Cambé, Nasser Salmen, responsável pelas investigações.
Quando Roberto Xavier ligou para a Ouro Branco, o motorista já havia sido encontrado por um lenhador, acorrentado numa árvore, e libertado por Policiais Militares. Segundo depoimento do motorista na polícia, o ladrão estava armado com dois revólveres. Quando foi rendido, o ladrão trocou sua roupa com o uniforme do motorista e pegou seu crachá.
Fui colocado deitado nos bancos de trás do ônibus e antes de me acorrentar ele prometeu me matar caso eu fugisse e procurasse a polícia. O ladrão deixou comida ao lado da árvore e um dos meus braços soltos para que eu pudesse me alimentar, contou Santos.
Ele relatou que Xavier dirigiu o ônibus com desenvoltura, dando a impressão de ser motorista experiente. Entre Rolândia e Arapongas, Santos disse que o veículo foi parado pelos policiais do posto rodoviário, que não teriam pedido documentos ao ladrão, mas apenas indagado sobre o ônibus vazio, deixando ele ir embora. O ônibus foi abandonado na rua João Vechi, em Campo Mourão, e depois entregue à empresa Ouro Branco.


