Foi com lágrimas nos olhos que o professor Sandro Severino comentou o sequestro-relâmpago que envolveu a diretora da Escola Estadual Mungo Jenes, Maria de Fátima Gonçalves, 38 anos. ''Estamos em estado de choque, completamente desconcertados com tudo isso que aconteceu'', disse ontem pela manhã, depois de se reunir com outros professores e funcionários da escola, localizada no Conjunto Habitacional Jamile Dequech (Zona Sul de Londrina).
Em solidariedade à diretora, os professores preferiram não ministrar aulas no turno da manhã e se reuniram com a chefe do Núcleo Regional de Educação, Geni de Lourdes Perineto, para tentar traçar algumas ações de segurança na escola.
''A princípio resolvemos parar as atividades hoje, principalmente em solidariedade à diretora. Ninguém daqui está em condições de dar uma aula normal depois de tudo o que ela passou. Ela é uma pessoa muito querida, que há pouco tempo teve filhos gêmeos. Estamos muito sensibilizados por conta disso tudo'', comentou Severino.
A diretora foi abordada por quatro jovens, dois deles menores de idade e estudantes da própria escola em que ela trabalha. O crime aconteceu na noite de terça-feira, quando ela chegava na escola, por volta das 19h30. Segundo informações da Polícia Militar, o objetivo dos assaltantes era levar o veículo Golf da professora até Faxinal (76 km ao sul de Apucarana). Um dos assaltantes estava armado e mandou a professora dirigir o veículo até a rodovia, em direção a Tamarana (63 km ao sul de Londrina). Próximo ao trevo de acesso ao Distrito de Guaravera, deixaram Maria de Fátima na rodovia e continuaram com o veículo. Eles foram abordados pelos soldados Jorge e Fedilk e pelo cabo Camilo já na entrada de Tamarana.
Conforme os policiais, os assaltantes tentaram fugir mas três deles foram capturados - dois adolescentes de 15 e 17 anos e também Wesley Carvalho da Silva, 22 anos. Um quarto participante do crime, um jovem maior de idade conhecido por Fernando, fugiu com a arma utilizada no crime. Uma das viaturas da PM que atuou nas diligências bateu em um barranco quando voltava para buscar a diretora. Ela conseguiu uma carona para retornar para Londrina. Ontem, a diretora não apareceu na escola.
A chefe do Núcleo Regional de Educação, Geni Perineto, compareceu à escola ontem para conversar com os professores. Segundo ela, o Núcleo tem tratado todas as questões de violência que envolvem as escolas com ''muito trabalho'' e, apesar de tudo o que aconteceu, a escola não pode paralisar suas atividades. ''A cada dia a violência está aumentando assustadoramente, mas os alunos bons não podem ficar sem aulas por conta disso. Vamos discutir algumas ações, não só na questão de um reforço policial, mas também alguns outros recursos por meio de projetos que envolvem a comunidade e a escola'', disse.

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