Um caso de sequestro ocorrido no dia 4 de agosto de 1998, em Ivaiporã (130 km ao sul de Apucarana) e até agora não solucionado, está levando pastores e deputados evangélicos a cobrar maior empenho da Secretaria de Segurança Pública. Depois de oito meses do desaparecimento do casal de idosos Otília e João Lima o crime foi revelado através de denúncia de pastores da Igreja Congregação Cristã no Brasil.
Desde o sumiço do casal e do pedido de resgate de R$ 5 mil, as investigações, inclusive com a participação do Grupo Tigre, foram sigilosas. O resgate deixou de ser cobrado pelos sequestradores e o casal continua desaparecido.
Ao cobrar uma solução da Secretaria de Segurança Pública, pastores da Congregação Cristã e o deputado estadual evangélico Edno Guimarães (PL), argumentam que a polícia não deveria ter abandonado as investigações. Esta semana, amigos e familiares de Otília e João Lima estiveram em Curitiba, buscando apoio de parlamentares evangélicos para exigir mais empenho da polícia.
De acordo com informações dadas ontem pelo delegado de Ivaiporã, Aparecido Antônio Gregório, tão logo a queixa foi registrada pelos pastores, a polícia começou a trabalhar, requisitando inclusive o grampeamento de dois telefones, onde haviam sido feitos os primeiros contatos.
‘‘O Grupo Tigre entrou nas investigações de imediato e trabalhou 40 dias em Ivaiporã, mas saiu do caso sem conseguir elucidar o sequestro’’, contou Gregório. Ele afirma que deu sequência às investigações, mas também não obteve progresso.
O delegado revelou que, de início, o pedido de resgate aconteceu através de um bilhete, amarrado a uma pedra e colocado dentro de um saco plástico, endereçado ao pastor João Arlindo. Nele, mediante ameaças de matar o casal, o sequestrador pedia que fosse feita a coleta de dinheiro entre os fiéis para providenciar o pagamento do resgate. Dizia ainda que o pastor deveria aguardar novas instruções sobre o local para a entrega do dinheiro.
Nas semanas seguintes surgiram mais dois bilhetes, sempre em tom ameaçador e até exigindo pressa, justificando que Dona Otília estava doente. ‘‘No último deles, o sequestrador marcou horário e local para entrega, mas não apareceu e nunca mais fez contato’’, informou o delegado.
A polícia chegou a pedir prisão preventiva de duas pessoas, mas avaliando que os argumentos não eram suficientes, a justiça negou. O casal sumiu de casa, numa chácara próxima da Igreja da Congregação Cristã, situada na Rua Maranhão, Vila Santa Terezinha, sem levar pertences.

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